quinta-feira, julho 19, 2012

Seduc paga R$ 20,5 milhões da primeira parcela do décimo-terceiro nesta sexta-feira

Professores também recebem em julho mais de R$ 1,8 mil de 1/6 de férias 
Os servidores da Secretaria de Educação (Seduc) vão receber o pagamento da metade do 13º salário nesta sexta-feira (20), assim como os demais colegas lotados nos órgãos públicos do estado. De acordo com o secretário da Educação, Júlio Olivar, a Seduc depositou R$ 20,5 milhões para o pagamento da primeira parcela do 13º dos 24,5 mil trabalhadores em educação. “E ainda no pagamento de julho os professores recebem um sexto de férias, que somam mais R$ 1,8 milhão no bolso dos servidores”, destacou. A secretária adjunta da Seduc, Isabel Luz, reforça que a antecipação de 50% do 13º aos servidores foi uma determinação do governador Confúcio Moura. O anúncio do pagamento foi feito pelo secretaria de Finanças nesta quinta-feira (19), logo após a Secretaria de Estado da Administração ter encaminhado ao Banco do Brasil os documentos necessários para a liberação do benefício. A notícia foi publicada, com destaque, pelo Decom (Departamento de Comunicação do Governo) e serviu como resposta aos questionamentos e comentários negativos da oposição sobre a saúde financeira do Estado. “O governo está injetando o montante de R$ 96 milhões na economia estadual através de seus 56 mil servidores”, afirmou o governador Confúcio Moura, que tinha até o dia 24 para depositar o dinheiro nas contas dos servidores, mas adiantou a operação.

Seduc paga R$ 20,5 mi da primeira parcela do décimo-terceiro nesta sexta-feira


PROFESSORES TAMBÉM RECEBEM EM JULHO MAIS R$ 1,8 MIL DE 1/6 DE FÉRIAS
Os servidores da Secretaria de Educação (Seduc) vão receber o pagamento da metade do 13º salário nesta sexta-feira (20), assim como os demais colegas lotados nos órgãos públicos do estado. De acordo com o secretário da Educação, Júlio Olivar, a Seduc depositou R$ 20,5 milhões para o pagamento da primeira parcela do 13º dos 24,5 mil trabalhadores em educação. “E ainda no pagamento de julho os professores recebem um sexto de férias, que somam mais R$ 1,8 milhão no bolso dos servidores”, destacou. A secretária adjunta da Seduc, Isabel Luz, reforça que a antecipação de 50% do 13º aos servidores foi uma determinação do governador Confúcio Moura. O anúncio do pagamento foi feito pelo secretaria de Finanças nesta quinta-feira (19), logo após a Secretaria de Estado da Administração ter encaminhado ao Banco do Brasil os documentos necessários para a liberação do benefício. A notícia foi publicada, com destaque, pelo Decom (Departamento de Comunicação do Governo) e serviu como resposta aos questionamentos e comentários negativos da oposição sobre a saúde financeira do Estado. “O governo está injetando o montante de R$ 96 milhões na economia estadual através de seus 56 mil servidores”, afirmou o governador Confúcio Moura, que tinha até o dia 24 para depositar o dinheiro nas contas dos servidores, mas adiantou a operação.

Funcionalismo público: primeira parcela do décimo-terceiro estará nas contas nesta sexta-feira


Cumprindo compromisso Governador determina pagamento aos servidores do Estado



Alheio aos questionamentos e comentários negativos da oposição sobre a saúde financeira do Estado, o governador Confúcio Moura determinou nesta quinta-feira o pagamento da antecipação de metade do 13º salário. O dinheiro estará na conta dos servidores já nesta sexta-feira (20). A Secretaria de Estado da Administração encaminhou nesta quinta-feira (19) ao Banco do Brasil os documentos necessários para liberação do pagamento.“O governo está injetando o montante de R$ 96 milhões na economia estadual, por meio de seus 56 mil servidores estaduais”, afirmou o governador Confúcio Moura. O prazo previsto para esta operação era até o dia 24.
Compromisso
Segundo a secretaria de Estado de Finanças, este tipo de ação nunca aconteceu antes na história do Estado. “A partir da gestão do governo da cooperação é que o pagamento do 13º salário passou a ser realizado em duas parcelas, uma no meio do ano e outra em dezembro. O que viabiliza a gestão publica e facilita a vida dos servidores. Este dinheiro vai aquecer a economia e quitar débitos, vez que em função da crise houve aumento na inadimplência”, lembrou o Secretário.“Qualquer injeção financeira possui peso para o comércio, gera desenvolvimento e mantém empregos” diz a Fecomércio. Para a entidade, Rondônia diferente de outros Estados, continua crescendo. Ela ressalta que esta postura do governo é fundamental, não apenas pelo depósito do 13°, mas ainda pelo cumprimento das obrigações para com os fornecedores. “Isso vem gerando credibilidade entre os empresários e conseqüentemente entre a população”, afirma.
Benefícios
Funcionário público há nove anos, Sidcley Matos lembra suas maiores conquistas. Pai de dois filhos, ele conta que com o dinheiro da primeira parcela do seu 13° salário irá quitar um curso técnico em segurança do trabalho que concluirá no fim do ano. “Pra mim o governo vem cumprindo com suas obrigações, falaram que ele não cumpriria em relação ao 13° e ele está pagando, assim como vem trabalhando em outras áreas como a saúde. Acho que temos que acreditar e não ficar falando mal”, afirma o servidor que no último ano foi contemplado com uma casa do Programa do Governo Federal em parceria com o Governo do Estado, Minha Casa Minha Vida. “Com a parcela do meu décimo terceiro e mais o salário vou quitar as três ultimas parcelas da minha casa”, comemora Luis Carlos Junior, outro servidor satisfeito com a antecipação do 13º.

Proteção veicular não tem garantias como seguro, alerta Sincor RO/AC


Os planos são vendidos como proteção veicular livremente pela internet ou por corretores, e funcionam como uma cooperativa. Esses contratos são apenas semelhantes aos dos seguros, mas sem garantia de pagamento.

Para fugir dos preços cobrados pelas seguradoras, milhares de donos de carros têm assinado contratos mais baratos de "proteção veicular". As autoridades alertam: pode sair caro. Esses contratos são apenas semelhantes aos dos seguros tradicionais, mas sem garantia de pagamento.

Duzentas e cinquenta empresas que praticam este tipo de negócio já estão na mira da Justiça.

E quase quatrocentos processos já foram abertos, com reclamações dos clientes.

Seguro de automóvel até 70% mais barato. Além de rastreador grátis, seguro de vida incluído, até mesmo auxílio-funeral. É um bocado de vantagem. Dá pra acreditar?

"Isso não existe. Muito pelo contrário", garante Geraldo Cavalcante, presidente do Sincor RO/AC e vice-presidente regional da Fenacor.

Penha Simão na Sepaz



Maria da Penha de Souza Menezes, conhecida como Penha Simão, mora em Rondônia desde 1977, é casada e tem dois filhos. Saiu de Cascavel, sul do Paraná, onde trabalhava como professora de séries iniciais e veio para Rondônia. Ao chegar aqui passou em um concurso público federal na Fundação Nacional de Saúde (Funasa) onde desempenha a função técnica na área da saúde.

Penha é graduada em pedagogia, com especialização em psicopedagogia clínica, cujos conhecimentos são voltados para a área da dependência química. Ajudou a implantar os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) que trabalham com a saúde mental de forma geral e também a dependência química em alguns municípios rondonienses.

No fim deste mês, ainda sem data definida, será realizada a posse da secretária Penha Simão para homologar a titular da pasta no cargo. Um seminário será realizado logo após a solenidade para os trabalhadores da área com o objetivo de fortalecer o vínculo entre a política de estado e a polícia nacional. A equipe técnica da Sepaz de Alagoas participará do evento e ficará em Rondônia para acompanhar a implantação da Secretaria no estado.

A Sepaz está instalada a rua Duque de Caxias, esquina com Presidente Dutra, número 654, bairro centro.

Por que entrou na política?
Penha: Sempre trabalhei com projetos sociais que envolvem as minorias. Fundei o Conselho da Mulher em Cacoal e o Grupo de Consciência Negra em Rondônia. Entrei na vida política como vereadora para ajudar a mudar o contexto social, mas vi que a força é limitada. É muito bom, porque possibilita atuar junto ao povo e cobra o prefeito. Você cria projetos, cobra leis, mas não executa. Não adianta ter um projeto lindo no papel e ele não ser executado. Estou nos últimos meses de mandato no qual pedi licença e assumo a Secretaria com muito amor, porque é aquilo que eu sempre fiz e gosto de fazer.

Qual a importância da Secretaria para Rondônia?
Penha: O governador Confúcio Moura conheceu a Secretaria de Promoção da Paz em Alagoas em 2011 e me convidou para assumir este projeto aqui em Rondônia, pois vem de encontro aquilo que ninguém nunca fez no estado, que é cuidar das pessoas.
Ela vai ser importante principalmente para as famílias, pois hoje as drogas, em especial o crack, está sendo devastador no Brasil. Basta a gente olhar para as ruas da nossa cidade e ver a luta diária dos governos que tentam acabar com as cracolândias em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Se este trabalho já tivesse iniciado há 10 anos, focando esse público, talvez hoje não tivéssemos tantos problemas em relação às drogas.
Acho que essa é uma das propostas mais bonitas, mais interessantes e mais bem pensadas que um governo já teve. Muitas vezes nós não acreditamos mais nessas pessoas. A dependência química é uma doença, uma patologia do quadro da saúde mental e nós enquanto sociedade nós não abraçamos essa causa e por esse motivo nós estamos com uma parcela tão grande da população marginalizada. Se isso não for trabalhado agora o Brasil pode entrar em uma crise de dependentes químicos sem saída.

Qual o propósito da Secretaria?
Penha: Resgatar vidas, reconstruir os valores e devolver a dignidade investindo no ser humano. As pessoas viciadas em drogas se perdem dos valores sociais e suas famílias também.

E as dificuldades enfrentadas no começo?
Penha: Enfrentar dificuldades é normal. A Sepaz foi criada no meio do caminho e quando digo isso me refiro ao semestre, de junho pra julho. E por isso não estamos inseridos no orçamento, no Plano Plurianal (PPA) e nem na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Estamos desde já com uma equipe trabalhando incansavelmente no planejamento de ações e desenvolvendo a metodologia de trabalho em cima do que foi proposto para a pasta.
Por ser uma secretaria nova em Rondônia e poucas apresentam a mesma temática em todo o país, é preciso buscar expertise em outras localidades. E fizemos isso, fomos a Alagoas em novembro de 2011 conhecer o trabalho e atuação para que possamos começar a trabalhar a promoção da paz em Rondônia.

Qual a demanda de atendimento?
Penha: Quando fui pra Alagoas pude fazer um comparativo e me surpreendi, porque é considerado um estado muito violento pela própria característica nordestina e hoje possui3 milhões de habitantes e 3 mil presos, enquanto Rondônia, com sua população de 1,5 milhão, tem aproximadamente 8 mil presidiários cuja maioria tem antecedentes com drogas.
Hoje as pessoas já vêm na Sepaz buscar informações sobre o funcionamento e saber como participar dos programas que serão desenvolvidos.

Quais os eixos de trabalho?
Penha: Costumo dizer que vamos trabalhar com quatro eixos principais dentro da Secretaria de Promoção da Paz. São eles:
- Acolhimento. Vamos ter que acolher essas pessoas que hoje já vivem a margem da sociedade e jogados na sarjeta;
- Prevenção. Nosso intuito é trabalhar este eixo fortemente, sejam em escolas, igrejas e em todos os ambientes onde as pessoas estão;
- Tratamento. É preciso cuidar dos que precisam de ajuda para reverter essa situação e orientá-los;
- Reinserção. Assim vamos devolver a dignidade para essas pessoas que necessitam de uma oportunidade para voltar ao seio da sociedade.

A Sepaz vai fazer parceria?
Penha: Também observei em Alagoas o vínculo entre o estado e Organizações Não Governamentais (ONGs) que são as instituições que tratam a dependência química. Estamos iniciando agora e não vamos deixar de lado ou desprezar essas instituições que já possuem know-how e desempenham estes trabalhos. Fizemos um levantamento e no estado já existem 31 comunidades terapêuticas, as quais atuaremos em parceria através de convênios. Os coordenadores serão treinados e instruídos quanto a documentação necessária e os critérios para que os centros possam ser cadastrados em editais do governo.
Vamos atuar lado a lado com a Secretaria de Educação (Seduc), de Saúde (Sesau), de Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec) e Assistência Social (Seas), que vão somar para retirar a população acometida pela dependência química da marginalidade. Onde existir um órgão que cuide de gente, nós também estaremos lá.

Já existem programas criados?
Penha: Atualmente estamos trabalhando na estruturação da Secretaria e verificando a viabilidade e fortalecimento de alguns projetos.
- Rondônia acolhe. Nenhum governo olhou a dependência química como prioridade e por isso Rondônia agora vai acolher. Nós não queremos a nossa população dentro da cracolândia, queremos na escola e no trabalho, em busca de um futuro melhor. Esse programa vai chegar até o dependente, mas também vai tratar da família que é quem mais sofre com o problema.
- Jovens promotores da paz. Este tem o objetivo de formar multiplicadores nas escolas em parceria com a Seduc, pois ninguém melhor que os jovens para falar entre si da importância do combate a dependência química. Os alunos serão capacitados juntos aos técnicos da Sepaz para que disseminem este conhecimento.
- Anjos da paz. É uma equipe multiprofissional que anda pela cidade para levar a mensagem de segurança e acolhimento, tentando resgatar o dependente químico, fazendo a ponte entre os dependentes e os familiares.

Por que “Secretaria de Promoção da Paz”?
Penha: Porque paz é um contexto muito amplo. A Sepaz foi constituída com esse nome, pois seu objetivo é ajudar os dependentes químicos e suas famílias na luta contra as drogas. Quem tem um dependente químico no seu convívio sabe como é difícil e tem consciência de que a paz para essas pessoas é quase inexistente. Quando nós passarmos a acolher, tratar e reinserir essas pessoas acometidas pelas drogas estaremos devolvendo a paz para elas, às famílias e todo o entorno.

terça-feira, julho 17, 2012

Brasileiro lê em média 4 livros por ano, segundo BN em seminário

O secretário estadual de Educação de Rondônia (Seduc), Júlio Olivar,  juntamente com os demais titulares do setor de outras Unidades da Federação e governador de Tocantins, Siqueira Campos, participaram da abertura do Seminário Nacional sobre o Plano Nacional de Livro e Leitura (PNLL). O evento aconteceu nesta quinta, 12, no auditório do Palácio Araguaia dentro da programação da II Reunião Ordinária do Consed.




O Plano Nacional do Livro foi lançado em 2006 pelo Governo Federal com o objetivo de incentivar a formação de novos leitores por meio de políticas públicas. A intenção agora é estender a iniciativa para os estados e municípios de todo país. A Fundação Biblioteca Nacional destacou a importância da discussão. “O Brasil dobrou o índice de leitores nos últimos tempos. Hoje cada brasileiro lê até quatro livros por ano. É muito pouco ainda, mas são sinais concretos de que quando se trata o assunto como política pública os resultados aparecem”, disse a Fundação.




O PNLL conta com quatro eixos principais: ampliação e democratização do acesso aos livros; promoção da leitura; apoio a cadeia produtiva e criativa e a realização de campanhas publicitárias para valorização da literatura. No Brasil a proposta já foi implantada no Mato Grosso do Sul. “Cabe a secretaria de educação e cultura de cada estado e município a orientação para elaboração do plano. É importante para as escolas atualizarem seus acervos e incentivar os alunos a serem leitores”, disse o Consed.

No Tocantins, o plano estadual foi debatido durante as etapas regionais da Flit. “Nós fizemos mobilização nas 12 regionais de ensino e daqui sairá a contribuição de cada unidade escolar. As propostas vão ser debatidas dentro do Seminário e levadas para apreciação na Assembleia Legislativa” ressaltou a Seduc.

Planejamento e Plano Diretor de Porto Velho

DOI: 10.5418/RA2011.0708. 0006
Revista da ANPEGE, v. 7, n. 8, p. 81-92, ago./dez. 2011.
ISSN 1679-768 X © 2003, Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Geografi a. Todos os direitos reservados.
PLANEJAMENTO E PLANO DIRETOR DE PORTO VELHO
Planning and Master Plan of Porto Velho
Prof. Dr. Josué da Costa Silva
Pós-Graduação em Geografi a da Universidade Federal de Rondônia
Br 364, km 9,5 - - Cx. Postal: 1420, CEP: 78900-000 - Porto Velho (RO) - Brasil
Tel: (+ 55 69) 2182 2190 - jcosta1709@gmail.com
Msc. Sheila Castro dos Santos
Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Rondônia
sheila1705@gmail.com
Prof. Dr. Adnilson de Almeida Silva
Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Rondônia
adnilsonn@gmail.com
Resumo
A proposta deste artigo é realizar análise, em escala intra-urbana do planejamento e da infraestrutura do
Plano Diretor de Porto Velho, capital administrativa de Rondônia e uma das principais cidades em expansão
na Amazônia, em virtude da decorrência das construções do Complexo Hidrelétrico de Santo Antônio
e Jirau – Usinas do Rio Madeira - e as situações de vulnerabilidade socioambiental, que deveriam ter sido
sanadas com o Plano Diretor da Cidade já que este previa a construção desse Complexo desde sua criação,cujos desdobramentos incidem diretamente no território e apresentam impactos de várias dimensões na população regional. Usamos como metodologia as refl exões decorrentes da legislação vigente, referenciais teóricos, vivências dos autores em Porto Velho e suas percepções quanto ao planejamento e plano diretor desse município.
Palavras-chave: Amazônia. Estudos Urbanos e Regionais. Planejamento. Porto Velho. Rondônia. Vulnerabilidade
Ambiental.
Abstract
The purpose of this article is perpetrate analysis, full-scale intra-urban planning and infrastructure master plan
of Porto Velho, Rondônia administrative capital and one of the main cities in expansion on Amazon, because
to the result of the constructions of the Hydroelectric Complex, Jirau and Santo Antônio – Rio Madeira Plants
- and situations of social and environmental vulnerability, which should have been remedied with the master
plan of the city as it foresaw the construction of this Complex since its creation, whose developments directly
affect the territory and present impacts various dimensions of the regional population. The analysis of this
work has as methodology refl ections arising from legislation, theoretical references, “author’s experiences”
in Porto Velho and perceptions regarding planning and strategic plan of the municipality.
Key words: Amazon. Urban and Regional Studies. Planning. Porto Velho. Rondônia. Environmental Vulnerability.
Résumé
Le but de cet article est d’effectuer une analyse en échelle du planning urbaine et de l’infrastructure du Plan
directeur de Porto Velho, Rondônia, la capitale administrative de Rondônia et une des plus grandes villes de
l’Amazonie en raison de de la construction du complexe hydroélectrique Santo Antonio et Jirau – Usines de
la rivière Madeira - et les situations de vulnérabilité sociale et environnemental, ce qui aurait dû être résolu
avec le Plan directeur de la ville que a prévu la construction de ce complexe depuis sa création, dont les
développements ont un impact direct sur le territoire et les impacts présents différentes dimensions sur la
population régionale. Nous utilisons la méthodologie des réfl exions sur la législation, les cadres théoriques,
les expériences des auteurs qui habitent à Porto Velho et leurs perceptions du planning et le plan directeur
de la ville.
Mots-clé:: Amazonie. Études urbaines et régionales. Planning. Porto Velho. Rondônia. Vulnérabilité de
l’environnement.
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Revista da ANPEGE, v. 7, n. 8, p. 81-92, ago./dez. 2011.
SILVA, J. da C.; WSANTOS, S. C. dos; SILVA, A. de A.
INTRODUÇÃO
A questão ambiental parece ser a grande preocupação manifestada nesse início de século,
principalmente no meio urbano, que vai desde a poluição e contaminação do solo, das águas, a
ocupação irregular de morros e vertentes, em áreas de estrutura geológica fragilizada, sujeita a
deslizamentos, alagações, dentre outras manifestações da natureza.
Essas ocupações, como resultado da falta de planejamento ou de seu descumprimento, por
seu turno resultam inúmeras vezes em perdas materiais, mortes e risco de morte e ameaça à saúde
pública. Tal situação é motivada pelo fato do poder público não ter se prepado preventivamente
no sentido de evitar prejuízos sobre a população.Entender essa complexidade demanda a participação, a responsabilidade e a conscientização do poder público, assim como, dos diversos atores que realizam o modus vivendi e modus operandi nas cidades, sendo que se encontra relacionado diretamente à qualidade de vida dos agrupamentos humanos.
A situação de risco ou de degradação ambiental, embora de forma direta e indireta atinja a toda
população, o espaço de uma cidade é organizado para que as classes sociais vivenciem tais problemas
de forma distinta, prevalece a lógica em que tais problemas recaiam com maiores consequências
sobre as classes menos abastadas economicamente e se criem a percepção de que as causas foram
“fenômenos naturais” que procura minimizar ou esconder a precariedade da infraestrutura urbana.
Na Amazônia, a preocupação com o planejamento e a cristalização de planos diretores urbanos
parece não merecer a atenção que deveria ter. Nossa intenção é apresentar a situação de Porto Velho
– Rondônia, não somente como aspectos teóricos, mas, especialmente, de vivências e experiências
nesse espaço há muito negligenciado pelo poder público e “desconhecido” pela população.
UMA PRÉVIA DISCUSSÃO SOBRE QUESTÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE NO
BRASIL
O modelo de desenvolvimento realizado no país tem provocado a diminuição de alguns biomas
e ecossistemas ao ponto de colocá-los na situação de risco eminente de desaparecimento, mesmo
porque a maioria deles sequer foi estudado em suas especifi cidades, ou seja, não se tem o conhecimento
necessário de sua importância biológica, científi ca, farmacológica, econômica, botânica,
entre outras.
A preocupação sobre a diminuição da degradação ambiental no Brasil e as providências para
a minimização dessa problemática, passa a ser considerada de forma mais sistêmica a partir dos
anos 1960. Entre 1965 e 1969, algumas iniciativas governamentais são tomadas através do estabelecimento
de leis e decretos que confi guram a Política Nacional de Planejamento.
Deste modo, percebe-se claramente a necessidade de normatizações que visam à diminuição
dos impactos ambientais não só no presente, mas, principalmente, para as próximas gerações. Lembrando
que os poderes Federal, Estadual e municipal possuem normas claras e políticas públicas
defi nidas, por que temos tão presente a percepção de ques tais medidas são inócuas haja vista as
mais variadas maneiras de agressão e ameaça ao ambiente?
Em meados de 1970, ocorreu o movimento denominado ambientalismo, cujo objetivo de cunho
social era provocar o Estado a estabelecer políticas voltadas às questões ambientais.
Essa questão, de certa forma, foi uma tentativa de reparação do processo histórico de formação
do estado brasileiro, o qual como bem constata Moraes (1994), que cuja vinculação está continuadamente
marcada por uma forte orientação de cunho geopolítico, ou seja, a garantia da soberania e
a integridade dos fundos territoriais, como missão básica do Estado. Desse fato, o aparelho estatal é
construído tendo como preferência o domínio do território em detrimento do bem-estar da população.
Ao tomar “consciência” dos efeitos nocivos da degradação ambiental, o Estado gradativamente
passou a desenvolver políticas visando a diminuição de tal questão. Destarte, o Estado desenvolve
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Planejamento e Plano Diretor de Porto Velho
dois eixos de trabalho para capacitar e conscientizar a sociedade em geral, sendo que o primeiro
eixo está relacionado à interdisciplinaridade, enquanto o segundo se direciona à sustentabilidade.
Uma ideia-eixo que se vai perpetuar ao longo de nossa história é a de construir o País. Tal ideia
tem por pressuposto uma ação colonizadora, isto é, a ocupação dos fundos territoriais não explorados
vai ser alçada à condição de projeto nacional básico. Tal formulação serviu, primeiramente, para
aproximar elites regionais desconectadas economicamente numa iniciativa política unitária, isto é,
forneceu-lhes um cimento comum que os interesses econômicos imediatos não propiciavam. Em
segundo lugar, essa ideia em si mesma legitima a existência de um Estado forte e ativo, pois caberá
fundamentalmente a ele a condução desse processo… (MORAES, 1994, p. 14).
Em tal contexto, para as atividades humanas também se criaram eixos normativos e orientadores,
com base em três princípios: a) efi ciência econômica; b) justiça social e; c) prudência ecológica.
Esses eixos, por seu turno, procuram desenvolver normatizações e consciência ambiental nos
diversos setores da sociedade, que possibilitem diminuir a degradação ao meio ambiente.
Com isso, a ideia apresentada nesses eixos, é a de existência da compreensão e entendimento
sobre o desenvolvimento possível, que busque atender as necessidades do presente, sem comprometer
as possibilidades das gerações futuras, ou em outras palavras, o chamado “desenvolvimento
sustentável”.
A preocupação ambiental, de forma considerada alarmista por muitos estudiosos, passa a ser
discutida em fóruns internacionais, principalmente a partir da realização da Conferência de Estocolmo
em 1972. Sobre essa Conferência, Monteiro (1981, p.19), expõe que os fatos apresentados
são permeados de interesses políticos e injunções econômicas. Ali fi cou evidenciado que o mundo
está dividido em nações ricas e pobres cujos pontos de vista sobre a questão ambiental são confl itantes.
Ficou explícito que a poluição é muito mais um produto das nações ricas que não respeitam
as normatizações ambientais, e ainda buscam recursos para continuarem investindo na degradação.
Até mesmo, a poluição que geram em seus próprios países é descartada e encaminhada para outros
países menos desenvolvidos tecnologicamente, que com essa atividade acabam tornando-se depósitos
de lixo – inclusive radioativo – de maneira que degradam os territórios e colocam em risco
não somente o ambiente, mas também as populações dos países pobres.
Um marco também importante produzido por essa Conferência foi a educação ambiental como
decisão de política pública, a qual todos os países signatários deveriam adotar, com vista à aquisição
da cidadania e consciência e, dessa forma, assegurar ao Planeta a possibilidade de oferecer um
ambiente saudável e duradouro.
No Brasil, a educação ambiental acontece a partir de 1973 com a criação da Secretaria Especial
do Meio Ambiente - SEMA, ainda de forma tímida, pois a necessidade de expansão econômica
era latente e não havia normatizações seguras para a coerção dos indivíduos, que de alguma forma
viessem a degradar o ambiente. Além do que, a visão brasileira à época, era de promover o desenvolvimento
a qualquer custo e com isso atingir os mesmos níveis econômicos dos países mais
ricos e desenvolvidos tecnologicamente. Sobre a trajetória inicial da educação ambiental no Brasil,
Monteiro (1981, p. 29-30) afi rma que:
... a SEMA age em torno de dois pólos de interesses. De um lado o aspecto da “conservação”
que diz respeito à “racionalidade” do uso e do outro aquele da “preservação”, ou seja, da interdisciplinaridade.[…]
O que se depreende sensivelmente na atualidade é que na falta daquela política
clara e de efi ciência executiva, as normas federais revelam-se inócuas enquanto as medidas se
diluem entre os poderes estadual e municipal, em cujas interfaces, escorregam habilmente as mais
variadas maneiras de agressão ao ambiente.
Nessa conjuntura em âmbito mundial, na década de 1970, é patente que os países mais pobres
fi cassem (e ainda fi cam) à mercê de decisões de políticas internacionais, cuja base de sustentação é
a exclusão ou impedimento de buscar ou de desenvolver tecnologias com menor impacto ambiental.
Ou seja, a própria dependência científi ca e tecnológica, que os mantém afastados das grandes
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decisões, embora sejam provedores de matérias-primas e mão-de-obra de baixo custo ao capital
internacional.
Assim, os países pobres estão submetidos à lógica e poderio econômico dos países mais ricos
e de suas empresas. Em tais condições necessitam explorar as riquezas de seu território, não
importando com os fortes impactos ao meio ambiente e com as várias consequências para seus
habitantes, tais como: enchentes, desmoronamentos, alagamentos e outras catástrofes naturais ou
induzidas devido à ausência de planejamento adequado.
O Brasil, como parte desse processo, não está imune a essas questões, que por sua vez foram
potencializadas pelo discurso geopolítico. No discurso ideológico da época está presente a questão
de suas delimitações fronteiriças extremamente enormes, daí a necessidade imperiosa de “integrar
para não entregar”.
A materialização desse discurso culmina com o estímulo à colonização oferecida pelo governo
central que transmitia a ideia de que o país deveria ser ocupado massivamente para que não sofresse
nenhuma invasão e apropriação de seu território por outro país.
Em tal lógica, foram implantados os projetos de colonização a partir da década de 1970, cuja
visão de desenvolvimento se afi rma com a abertura de estradas e a derrubada das fl orestas. O Estado
brasileiro em seu corolário discursivo realiza a integração e colonização em massa nas áreas
ainda não ocupadas ou ocupadas por indígenas e populações tradicionais. A ocupação do território
brasileiro com a colonização tem em seus custos a extinção de muitas das etnias e alteração radical
do modo de vida das populações tradicionais.
Nas regiões de avanço da colonização, a exemplo da Amazônia na década de 70 do século
passado e causado pela própria falta de experiência do que é agir em defesa de uma condição
que evite a degradação ambiental por um lado, e tendo o modelo de desenvolvimento econômico
incompatível com esta ideia, por outro; a SEMA enfrentou conceitos como o da valorização das
terras em que considerava benfeitoria o total desmatamento do lote. As ações deste órgão não
poderiam fugir do confl ito conceitual da política pública que o criou: as populações tradicionais
como os pequenos agricultures familiares, colonos, extrativistas, indígenas entre outros, passaram
a ser antagonistas uma vez que não conseguiam se inserir no modelo de produção que a forma de
desenvolvimento defi nida exigia.
Essa iniciativa, consequentemente levou ao desmatamento desenfreado, principalmente, em
Rondônia nos anos 1980-1990, ao ponto do Banco Mundial – BIRD, que havia fi nanciado projetos
na região, revesse uma série de acordos e com isso diminuísse o crescente desmatamento.
Ressalta-se, ainda, que essa questão relaciona-se a uma série de outros fatores, como a questão
da sobrevivência e oportunidades de trabalho. Em tal situação, a necessidade de trabalho por
grande parte da população, que servia como mão-de-obra barata devido as insufi cientes políticas
públicas e de incentivo a aprendizagem levou o trabalhador a executar tarefas como derrubadas,
sem refl etirem sobre o impacto no ambiente.
A propósito do “modelo” do Clube de Roma apontava que o subdesenvolvimento era o maior
produto do desenvolvimento, está a necessidade de desenvolvimento que leva à causa primária da
poluição. As bases da fundamentação para a exploração, refl exão e a prática da preservação ambiental
são apresentadas por Monteiro (1981), que explica a dicotomia de países ricos que já exploraram
a maior parte de suas reservas e países pobres que se deixam usar para descarte de material tóxico
e também oferecem suas reservas naturais, como é o caso brasileiro.
As discussões iniciadas na Conferência de Estocolmo são ampliadas na Rio 92, com inclusão
de temas ambientais subordinados a outras lógicas, tais como: a) a observação da necessidade
de uma gestão ambiental que pudesse captar os sinais do universo da política, da economia; b)
o entendimento sobre a complexidade da vida social que transcende a capacidade explicativa da
ação antrópica. Para alcançar esses e outros objetivos seria necessário ampliar as pesquisas e conhecimentos,
logo, o aporte interdisciplinar na gestão ambiental era o caminho a ser seguido. Na
conjuntura que envolve diretamente as questões ambientais existem os mais variados interesses
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Planejamento e Plano Diretor de Porto Velho
políticos e econômicos e que se encontram inseridos na lógica do Capital.
O incentivo da vinda de multinacionais para exploração de áreas verdes do país almejando que
o produto interno bruto aumentasse e que a categoria de país desenvolvido lhe fosse atribuída, levou
o Brasil a incentivar construções de reservatórios artifi ciais, hidrelétricas que acabam por afetar o
bioma e a fl ora, ou seja, alteram signifi cativamente a paisagem. O Complexo Hidrelétrico do Rio
Madeira com a construção das Usinas de Jirau e Santo Antônio atendem à lógica da Iniciativa de
Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana - IIRSA, sendo um dos eixos nacionais de
integração e desenvolvimento.
O modelo de produção agrícola adotado historicamente no Brasil tem como característica a
adoção de formas arcaicas do capitalismo há muito superada nos países centrais da economia. A
opção pelo latifundio, monocultura que usa como estratégia a derrubada de grandes áreas fl orestais
e a consequente queima da biomassa, liberando gases tóxicos e poluentes na atmosfera. Mesmo
quando em alguns setores da produção agrícola brasileira usa alta tecnologia, essa prática também
modifi ca a estrutura da paisagem com profundas “fi ssuras” no ecossistema, e no caso de intensa
fragilidade ambiental as condições ambientais não mais conseguem restabelecer.
Em quase toda fronteira de expansão econômica, notadamente na Amazônia, a pecuária extensiva
substitui a agricultura tradicional, com isso incorre na abertura de novas frentes de produção,
repetindo-se o ciclo de desmatamentos e danos ambientais. Nesse cenário, o agronegócio surge
como indutor mais recente, principalmente, a soja e a cana-de-açúcar como commodities agrícolas
que atendem ao mercado internacional e corroboram como pressão aos biomas e ecossistemas, com
os cerrados como uma das vítimas da expansão econômica.
Nesse processo, Mehl (2002) avalia que o Estado brasileiro liderou a iniciativa em articular-
-se e responsabilizar-se pela implantação e implementação de políticas de integração das regiões
periféricas (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) ao ritmo acelerado de crescimento do Centro-Sul. O
resultado mostrou-se satisfatório, sob o aspecto da redução da participação de São Paulo e da região
Sudeste (onde se localiza a região mais dinâmica, desenvolvida e de maior PIB nacional), e em
contrapartida houve uma redistribuição econômica que benefi ciou os estados periféricos, em uma
crescente convergência de renda entre 1970 e 1985. Todavia, essa política de integração nacional
não atingiu plenamente seus objetivos de atenuar as enormes disparidades socioeconômicas inter-
-regionais. Considera ainda que o processo de globalização acentuado no Brasil se deve à necessidade
de resolver os graves problemas de desigualdade regional, e para tanto a interveniência do
Governo Federal em dirimir essa questão, traça estratégias de planejamento regional.
As estratégias são caracterizadas pelas reconfi gurações territoriais do espaço nacional, em que
se manifesta a identifi cação das áreas de maior dinâmica econômica do país, numa perspectiva de
articular as economias regionais ao mercado internacional, tendo como aparato os principais projetos
de investimentos direcionados à infraestrutura, que privilegia as regiões mais ricas, ou seja,
aquelas historicamente “consolidadas”.
Notadamente, a historicidade da questão ambiental no Brasil é extremamente complexa e exige
esforços hercúleos para sua implementação, em decorrência da interpretação e na fi scalização dos
decretos, das leis e dos estatutos normativos. Essa questão entende Moraes (1994) deve-se, principalmente,
ao rótulo que a gestão ambiental recebeu para qualifi car a ação institucional do poder
público no sentido de colocar em prática a política nacional de meio ambiente, como componente
de organização territorial e social no país, em decorrência das múltiplas facetas que o tema requer.
A gestão ambiental se insere como uma ação pública elaborada e empreendida por diversos atores
caracterizados na estrutura do aparelho estatal – mas que também se encontra presente no interior
da sociedade - com as implementações de setores de normas diretivas, em que o Estado busca a
aplicação da política ambiental do país em todas as regiões que fazem parte de seu território.
Portanto, a gestão alude-se na institucionalização e implementação da política ambiental pelo
Estado, como um dos requisitos essenciais para se discutir a questão ambiental, a sustentabilidade e
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SILVA, J. da C.; WSANTOS, S. C. dos; SILVA, A. de A.
o planejamento regional, condição sine qua non para a realização de políticas públicas que atingem
transdisciplinarmente os mais distintos setores da sociedade nacional.
O sentido aqui exposto é que tanto o planejamento regional, quanto às questões ambientais,
sustentabilidade e gestão ambiental devem ser pensadas e realizadas numa ótica holística, em que,
por exemplo, a educação, a saúde, a cultura, entre outras, não podem ser entendidas e resolvidas
isoladamente, porque se trata de ações interdependentes. Logo, uma ação tem relação direta com
outra, e nesse conjunto deveria ocorrer sempre com as políticas públicas, apesar das especifi cidades
que cada um apresenta. Infere-se ainda, que em sua realização é imprescindível a participação
efetiva da sociedade, sem a qual os planos, programas e projetos, tornam-se inócuos.
DISCUTINDO O PLANEJAMENTO REGIONAL
O planejamento regional é um instrumento político de ação articulada e conjunta dos governos
federal, estaduais e municipais, que permite pensar a expansão econômica e social do país, numa
perspectiva de integração do território nacional.
Os efeitos das ações tomadas nas esferas federal e estadual são diretamente sentidos na escala
local, ou seja, nos municípios - é neles que os benefícios e danos ambientais se tornam mais evidentes
no cotidiano do indivíduo, tomam formas, se corporifi cam espacialmente.
Destarte, o município se caracteriza como habitat, como feição da territorialidade, onde as
pessoas sentem diretamente os malefícios da degradação de uma área, pois ali se constitui o lócus
de vivência que é movimentado pelas necessidades desde as mais simples até as mais complexas. As
relações na escala municipal constituem-se como âmago das vivências, dos sonhos, das desilusões
de seus moradores, esses colocados em prática dentro do município que é o lugar de realização que
pode ser percebido, Neves (2009, p.148), expõe que:
No aparato estatal, o município é o ente federativo que está mais próximo ao cidadão, para
acolher suas demandas. Este, contudo, depende do desenvolvimento institucional para atendê-las.
Não só das instituições que elaboram as leis e intervêm no território, mas daquelas que possam
definir a agenda política e incluir a questão ambiental como uma das prioridades nas políticas
públicas. A atuação dos conselhos municipais de meio ambiente é um recurso importante para
enfrentar os problemas ambientais, organizando as demandas sociais na agenda política de forma
mais democrática.
Nessa injunção, o Plano de Metas de 1956 representou uma política inovadora de desenvolvimento
industrial, na qual o estado brasileiro estabeleceu como objetivo estratégico substituir as
importações e propiciar sua fabricação no próprio país, ou seja, a transferência de tecnologia e a
oferta de um produto genuinamente nacional. Posterior ao Plano de Metas, os Planos Nacionais
de Desenvolvimento Econômico - PNDs ganharam grande expressão na política inovadora da
época, por meio do desenvolvimento industrial regional, e promoveram a integração produtiva da
economia nacional.
Essa proposta tinha como escopo a condução do país como uma das grandes potências econômicas
mundiais, para tanto a moeda de troca adotada pelo Governo Federal consistia na negociação
com o capital fi nanceiro internacional e a inserção de grandes empresas internacionais com a instalação
de suas fi liais em território brasileiro, através de incentivos fi scais, diminuição de impostos
e outras facilidades.
Esse é um dos modelos de planejamento adotado para o crescimento regional e que ainda está
vigente no país, porém incrementado com o capital das empresas nacionais – a lógica utilizada
pelo capital é muito semelhante ao que ocorria no passado, isso é fato concreto, principalmente em
regiões de expansão econômica, como é o caso da Amazônia.
Por outro lado, dentre os diversos planos específi cos para cada região do país houve alguns
que estiveram ancorados na principal diretriz de organização e normatização para o meio ambiente
através do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA. Esse sistema foi criado pelo Governo
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Planejamento e Plano Diretor de Porto Velho
Federal para que houvesse organização e cooperação entre as diferentes escalas de poder seja ela
a nacional, a estadual ou a municipal.
Outro modelo de plano específi co para gestão do espaço urbano foi colocado em prática com
a Lei nº 10257 de 2001 ou “Estatuto da Cidade”, sancionada para estabelecer regras para o crescimento
e funcionamento das cidades brasileiras, colocando em prática o planejamento sustentável.
Milton Santos (1997), entendia tal discussão como uma confi guração territorial, onde cada porção
geográfi ca possui um papel próprio no processo produtivo. Essa porção é formada por produtos,
produções, circulação, distribuição e consumo, em que as formas de cada paisagem são moldadas
em conformidade com os arranjos que se promovem no espaço.
Quando tratamos de cidades, essas devem seguir normas de sustentabilidade para que seu
espaço possua forma, ou formas adequadas para se cristalizar. As formas necessitam de pessoas
para diversas funções que possam colocar em prática cada artigo e parágrafo das normatizações
impostas às cidades, sendo que as estruturas devem ser organizadas para que o processo conduza à
sustentabilidade e deste modo, seja colocada em ação. O espaço é percebido através do lugar, esse
por sua vez é identifi cado como o alicerce para reprodução da vida, o lugar também pode possuir
diferentes paisagens (SANTOS, 2010). Tem-se nesse conjunto que a área urbana da cidade, por
exemplo, é o lugar onde a heterogeneidade de prédios, ruas, relações sociais acontecem, são vividas
mais intensamente e os impactos sociais e ambientais são mais sentidos pelas diversas comunidades.
O ESTATUTO DA CIDADE E O PLANO DIRETOR
A Constituição Federal de 1988 regula em seus artigos 182 e 183, a criação do Estatuto das
Cidades para conduzir e normatizar as políticas públicas. Os municípios devem possuir em seu rol de
normatizações as leis orgânicas dos municípios. A Lei Orgânica oferece ao município instrumentos
legais capazes de enfrentar as grandes transformações que a cidade a cada ano passa e proporciona
nova ordem ao desenvolvimento de todo o município. A Lei Orgânica deve ser embasada na Lei
10.257 de 2001 ou “Estatuto da Cidade”.
A análise local refere-se ao Plano Diretor da cidade de Porto Velho em vigor desde 2008. Essa
cidade encontra-se dividida em seu mapa urbano de zoneamento por cinco grandes zonas , e mais
cinco bairros sem zona defi nida e três bairros ainda à espera da lei orgânica que normatize sua criação,
estes também estão em zona indefi nida. Isso tudo resulta num total de sessenta e nove bairros
com mais variados índices de urbanização e constitui um desafi o para o poder público e sociedade,
visto que a esmagadora maioria ocorreu de forma espontânea, sem qualquer tipo de planejamento.
O município de Porto Velho está dividido em zonas, bairros e área rural, cujo contingente populacional
é de aproximadamente 420.00 mil pessoas .
A capital rondoniense encontra-se localizada na parte Oeste da Região Norte do Brasil, na
área abrangida pela Amazônia Ocidental no Planalto Sul-Amazônico, uma das parcelas do Planalto
Central Brasileiro. O relevo do município é pouco acidentado, não apresenta grandes elevações ou
depressões, sendo que sua altimetria varia entre 70 e pouco mais de 500 metros. A sede do município
situa-se no vale do rio Madeira, dentro da planície amazônica, à margem direita deste rio, distante
sete quilômetros do Complexo da Usina Hidrelétrica Santo Antônio. Geografi camente encontra-se
na longitude Oeste (63º 54’ 14”) e latitude Sul (8º 45’ 43”) e com área de extensão de 34.068,50km².
Em sua base territorial administrativa, na atualidade possui 10 distritos reconhecidos ofi cialmente:
Abunã, Extrema, Fortaleza do Abunã, Vista Alegre do Abunã e Nova Califórnia – região do
Alto Rio Madeira; Jacy-Paraná e Mutum-Paraná – médio Madeira; Calama, São Carlos, Nazaré,
Demarcação – baixo Madeira; e Nova União Bandeirantes, próxima a Jaci-Paraná, que ainda não
foi reconhecido, devido a litígios fundiários, embora conte com uma população superior a 15.000
habitantes.
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SILVA, J. da C.; WSANTOS, S. C. dos; SILVA, A. de A.
O ABAIRRAMENTO DE PORTO VELHO E SUAS IMPLICAÇÕES
A confi guração dos bairros teoricamente está respaldada no Plano Diretor do Município, entretanto
existe uma problemática de entendimento entre os vários orgãos públicos, isto é, cada um
desses órgãos possuem um zoneamento e uma escala própria de entendimento sobre a cidade de
Porto Velho, o que muitas vezes resulta em confl itos de potência, em que a sociedade é a grande
perdedora.
A função do Plano Diretor é colocar em prática as normatizações de uso do solo, das leis específi
cas que normatizam a economia, a política e as leis ambientais que vão propiciar ao município
possibilidade de garantir recursos do Ministério das Cidades para o desenvolvimento municipal.
Até o presente momento, este se mostrou obsoleto por falta de aplicação das propostas contidas
em seus 85 artigos. De maneira que entendemos que o Estatuto da Cidade, fi cou incumbido de
regulamentar e desenvolver políticas públicas para o espaço urbano de Porto Velho, mas que em
sua aplicabilidade não alcançou os objetivos esperados, principalmente, considerando a incipiente
participação da sociedade quando da elaboração do Plano Diretor.
Na realidade, o Plano não carrega em si a ideia de pensar estrategicamente a cidade, conforme
observa Fernandes (2010) em seu artigo “A Fontana di Trevi e o Trevo do Roque”, em que desnuda a
situação de Porto Velho, como longe de atingir os níveis almejados de urbanização. Nesse contexto,
os munícipes são também cúmplices da desordem territorial existente na cidade, em que sua função
social, o direito elementar a terra urbanizada, à moradia, ao saneamento ambiental, à infraestrutura
e aos serviços públicos, ao transporte coletivo, à mobilidade e acessibilidade, ao trabalho e ao lazer,
são relegados em segundo plano.
Em observância aos dispositivos expostos no Plano Diretor nota-se a sua fragilidade de organizar
o espaço urbano de Porto Velho desde sua elaboração, para exemplifi car, as divisões de bairro
totalizam não somente sessenta e oito bairros, conforme aponta esse instrumento. O bairro que fi cou
excluído representa por sua vez, a propria exclusão dos serviços básicos aos moradores que nele
habitam. Pode-se conjecturar se isso é uma falha, uma anomalia, uma omissão, ou mesmo exclusão?
A cidade é o labirinto, a complexidade, em que se dá a multiplicidade de experiências vividas
pelo homem. É nela que a relação do homem com o meio, com o lugar que ele ocupa, com o
conjunto de atitudes tomadas por ele em relação ao seu habitat que gera infl uências ao Planeta. A
cidade também é expressa tangivelmente pelo urbanismo, que é a técnica, o saber organizacional
e racional das aglomerações humanas. O urbanismo possibilita a criação de condições adequadas
de habitação, podendo ser considerado como o responsável pelo surgimento da própria civilização,
de acordo com Harvey (1978).
Como produto social, a cidade tem a necessidade de ser organizada, uma das soluções encontrada
pelo Estado foi o Plano Diretor. Em Porto Velho, o Plano Diretor foi elaborado para permitir
o urbanismo e contém em seu eixo, a política municipal de desenvolvimento e de expansão urbana.
Para atingir seu objetivo, a política municipal de desenvolvimento urbano apresenta as seguintes
diretrizes: a) a garantia do direito à cidade sustentável; b) a gestão democrática e cooperação entre
governo, iniciativa privada e o terceiro setor; c) o ordenamento e controle do uso do solo, proteção,
preservação e recuperação do meio ambiente natural e construído, do patrimônio cultural, histórico,
artístico, paisagístico e arqueológico.
É importante observar que na operacionalização do Plano, alguns procedimentos devem ser
cumpridos, entre eles o Estudo de Impacto Ambiental – EIA e o Estudo de Impacto de Vizinhança-
-EIV, voltados à sustentabilidade da área a ser desenvolvida por exploração ou investimento/empreendimento.
No caso de Porto Velho, nem sempre essas determinações são conduzidas de forma
efi caz e efi ciente, como pode ser constatado aqui no que se refere às áreas verdes.
O EIA pode ser considerado o plano macro de um estudo ambiental, enquanto o EIV age dentro
da área urbana, por exemplo, se houver asfaltamento em determinada rua e a projeção de aumento
de valores imobiliários em decorrência de empreendimentos como shoppings, condomínios, entre
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Planejamento e Plano Diretor de Porto Velho
outros, inclusive no que se refere a possíveis impactos sociais, econômicos e ambientais, tendo
como base de sustentação a legislação ambiental vigente.
No Plano Diretor prevê-se, como elemento teórico, a concepção normativa de realização da
“cidade sustentável”, em que se assegura o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental,
à infraestrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para
as atuais e futuras gerações. A realidade, porém, indica que esse ideal está longe de ser alcançado,
em virtude de diversos interesses, entre eles a especulação imobiliária.
ÁREAS VERDES: UM HIATO URBANO EM PORTO VELHO
As questões sociais e espaciais, como observa Moraes (1994), são cada vez mais crescente,
sendo que o relacionamento das sociedades com a superfície terrestre como processo de transformação
e valorização do espaço, por se tratar de riquezas naturais transformadas em objetos de
consumo e de formas construídas que se agregam ao solo sobre o qual estão erguidas. Em outras
palavras, o trabalho materializado na paisagem, o valor depositado nos lugares mostra a função que
os espaços passam a ter e se diferenciar por características humanas e não apenas por condições
naturais variáveis.
Ao observarmos o Plano Diretor de Porto Velho, as áreas verdes previstas no Artigo 28,
que normatiza o sistema infere que as áreas verdes deveriam formar corredores de interligação
ambiental-urbanística com os fragmentos florestais urbanos, praias fluviais e demais áreas definidas
no zoneamento ambiental.
Entretanto, verifica-se que na prática é impraticável porque sendo uma cidade amazônica com
altas temperaturas, essas áreas parecem que não estão incluídas como relevantes para os planejadores
e gestores do poder público. Isso é constatado pela ausência de parques, passeios e praças
públicas destinadas à prática de esporte, lazer e convivência, ciclovias, inibindo o próprio exercício
da cidadania. Torna-se mais evidente, ainda, quando os espaços promovidos por empreendimentos
particulares, notadamente, não se preocupam com a qualidade ambiental – como suporte da cidade
sustentável – em decorrência da inexistência de meios inibidores de degradação ambiental.
Destarte os empreendimentos são construídos, sem obedecerem ao Código de Postura, sem
contarem com estação de esgotamento sanitário e resíduos sólidos, reciclagem e reaproveitamento
de lixo, em que a tônica do poder público consiste em maquiar seu papel fi scalizador e regulatório.
Logo, o zoneamento previsto no Plano Diretor, como a altura dos edifícios, locais de residências e
outras funções da cidade, observadas as condicionantes ambientais – rede hídrica, algumas encostas,
áreas de preservação permanente, entre outras, são claramente negligenciadas. A sistematização das
áreas verdes dentro do perímetro urbano, é inexistente uma vez que o poder municipal não realizou
estudo prévio para calcular quantas são essas áreas e suas dimensões pertencentes ao domínio público.
Tampouco, o município possui a dimensão geográfi ca exata dos igarapés, como áreas de
proteção permanente e áreas fl orestadas, assim como resolver democrática e participativamente
a antiga problemática da cidade, especialmente nos bairros alagadiços com a presença forte da
identidade cultural de pessoas que vieram das diversas regiões do país, e que ultrapassa a dimensão
dos aspectos materiais. Essa é uma questão que o município não conseguiu resolver e conforme se
verifi ca na notícia divulgada pelo poder público municipal:
“Com relação ao meio ambiente, a proposta apresentada é a criação de parques e espaços de
lazer ao longo das margens dos igarapés, implantação de políticas para evitar a ocupação de áreas
de risco através da construção de casas… As enchentes começam a ser enfrentadas com um projeto
de macro-drenagem para amenizar o calor e a cidade também deverá ser arborizada. Outra diretriz
do plano é a criação de um parque ao longo da margem do rio Madeira, desde as instalações da antiga
estação da Ferrovia Madeira-Mamoré até o limite do perímetro urbano, ao Sul da cidade, uma
exigência que já está contemplada em um projeto que a prefeitura elaborou e enviou para análise
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SILVA, J. da C.; WSANTOS, S. C. dos; SILVA, A. de A.
na Caixa Econômica Federal” (http://www.portovelho.ro.gov.br/index.conselho-da-cidade-reune-
-para-avaliar-plano-diretor-de-porto-velho-2010 - acesso em 16.01.2011).
Sabemos que essas áreas são imprescindíveis ao bem estar da população, contudo ao constatar
que o poder público municipal não tem as respostas adequadas para modifi car o urbano e a qualidade
de vida da população, nos coloca um fato preocupante como falar em corredores de interligação, já
que estudos não foram realizados e que comprovadamente justifi quem a remoção das populações
que se encontram às margens dos rios e igarapés, em áreas alagadiças.
Outra questão que se coloca em tal contexto é: como o sistema de área verde das macrozonas
urbanas serão delimitados, se isso depende da demarcação dessas áreas atendendo a lógica o Plano
Diretor do município sem a participação dos principais interessados, no caso a própria população
que será atingida? Nisso não existem respostas prontas, porém não há como negar que é necessário
todo um esforço envolvendo o poder público e a sociedade. Isto torna-se o grande desafi o para uma
cidade que cresce desordenadamente, em razão das obras do Programa de Aceleração do Crescimento
– PAC, com as Usinas do Complexo do Madeira, onde o poder público não é sufi ciente para
as demandas urbanas, embora seja o grande responsável pela ordenação e gestão do território.
A construção desse complexo hidrelétrico tem gerado inúmeros impactos ambientais, sociais
e econômicos, de modo que o Plano Diretor não conseguiu claramente prever esses impactos aprofundando
o “desordenamento” territorial.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As questões urbanas e ambientais no Brasil ao longo de sua existência caminham com imensas
difi culdades em sua implementação, na fi scalização dos decretos, das leis, dos estatutos. Entretanto,
é preciso considerar os vários avanços obtidos, especialmente na Amazônia, por ser uma região
de expansão de fronteira econômica, seja nos aspectos sociais, humanos e ambientais, dado a sua
complexidade e dimensão territorial.
É necessário observar que nessas questões a qualifi cação da ação institucional estatal no sentido
de objetivar a política de meio ambiente com vista a minimizar a geração dos impactos. Como
resultado do crescimento desordenado das cidades, proporcionando a perda da qualidade de vida
de seus habitantes. E quando não ocorrem situações mais agravantes como mortes provocadas por
deslizamento, soterramento, alagações, entre outras causas de origem de manejo inadequado da
natureza.
É uma tarefa complexa que exige dos planejadores, gestores públicos e sociedade em geral a
tomada de decisões políticas no sentido de conciliar o bem estar das populações, a utilização dos
recursos, através de forma equilibrada conjugando o meio ambiente e as necessidades humanas.
Uma das possíveis respostas encontradas para atuação é a ação fi scalizadora estatal, o planejamento
regional discutido e desenvolvido solidária e cooperativamente com as três esferas de
governo – federal, estadual e municipal – não se descartando a participação da sociedade, principal
interessada e que sofre os efeitos dessas políticas. O planejamento regional é um importante instrumento
político que possibilita a gestão territorial, na qual os municípios se inserem, de modo a
objetivar a expansão econômica e social do país, sem abandonar as questões ambientais.
Dessa forma, o uso da política econômica em perspectiva de integração do território nacional
deve ser voltado ao crescimento sustentável das cidades. Talvez não seja só utopia já que está delimitada
no plano municipal a participação da população, principalmente daquelas mais diretamente
afetadas, a alterações profundas como se vê no caso de Porto Velho com a implantação do Complexo
Hidrelétrico de Santo Antônio e Jirau, constante no Plano de Aceleração do Crescimento – PAC,
e, indubitavelmente, produzem inúmeros e variados tipos de impactos numa cidade que desde seu
surgimento é carente de infraestrutura adequada e que atenda efetivamente seus habitantes.
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Planejamento e Plano Diretor de Porto Velho
Nessa conjuntura, as áreas verdes que estão dispostas dentro da cidade são de extrema importância
para a sociedade local. Entretanto, o que se verifi ca é o ato negligenciador do poder público
municipal e o a-pertencimento da sociedade em entender que esses espaços públicos de fato e de
direito é de usufruto de toda a população.
Isso se nota pela ocupação ilegal dessas áreas verdes e de locais inapropriados à moradia,
exemplo, as encostas e mananciais da cidade, potencializadas pelo acúmulo de resíduos sólidos.
Podemos afi rmar categoricamente que a cidade eapresenta problemas estruturais crônicos não somente
em seus aspectos ambientais, quanto ao que se refere a sua infraestrutura urbana, entre eles
a desvalorização de seu patrimônio histórico e cultural.
Por outro lado, se verdadeiramente o planejamento for operacionalizado com acuidade, com
a participação de profi ssionais capacitados e da própria população, as vias públicas de Porto Velho
terão melhora gradativa. É imprescindível que o Plano Diretor de Porto Velho tenha vida própria,
com estratégias bem defi nidas mediante a realidade do cidadão, criando uma identidade de pertencimento
urbano, em que a participação do cidadão por meio de seu conhecimento possibilite
encontrar os meios adequados para a melhora na qualidade de vida da população.
Para a cidade de Porto Velho é indispensável que o estado ou município possuam estratégias
voltadas para a Pesquisa e Planejamento Urbano capaz de gerar projetos, ações, obras, diretrizes,
com comando técnico de organização e planejamento para pensar o urbano em sua complexidade,
entre essas a defi nição de áreas residenciais, industriais, comerciais, praças, jardins, parques, passeios
públicos. Enfim, implementar o Código de Postura com visão de futuro e, sobretudo, com a
adoção de medidas fiscalizatórias que permitam ao poder público e aos cidadãos usufruir de um
espaço amazônico vivo, sadio e dinâmico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BRASIL. Lei nº 10257 de 2001 (Estatuto da Cidade)
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FERNANDES, T. Nossa história: A Fontana di Trevi e o Trevo do Roque. Publicado em 21.01.2011. Disponível
em http://www.rondoniagora.com/noticias/a-fontana-di-trevi-e-o-trevo-do-roque-2011-01-21.htm
(Acesso em 18.01.2011).
IBGE. Dados do Censo 2010 - publicados no Diário Ofi cial da União do dia 04/11/2010. Disponível em
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MORAES, A.C.R. Meio Ambiente e Ciências Humanas. São Paulo: HUCITEC, 1994.
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NEVES, F.O. Instituições e Questão Ambiental: Conselhos Municipais de Meio Ambiente no Paraná. Mercator
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sites acessados:
http://www.portovelho.ro.gov.br/index.conselho-da-cidade-reune-para-avaliar-plano-diretor-de-porto92
www.anpege.org.br
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segunda-feira, julho 16, 2012

Governo propõe plano para professores


Proposta apresentada de maneira inesperada pelo Ministério do Planejamento abriu nova rodada na queda de braço entre professores universitários e Governo Federal por reajuste salarial e um novo plano de carreira. Após 60 dias de greve em 56 das 59 universidades do país, sucessivas reuniões de negociação com os sindicatos desmarcadas e ameaça de corte de ponto, o Governo apresentou uma proposta às reivindicações da categoria, na tarde desta sexta-feira, 13 de julho.

O Governo sugeriu reduzir de 17 para 13 os níveis de carreira dos docentes com reajustes que variam de 16% a 45% ao longo de um período de três anos e passariam a valer a partir de 2013. O salário inicial de professores doutores em regime de dedicação exclusiva, que é hoje de R$ 7,3 mil, iria para R$ 10 mil. Já a remuneração do professor titular com dedicação exclusiva passaria de R$ 11,8 mil para R$ 17,1 mil.

O plano prevê ainda novas classes remuneratórias para os professores novatos, com salários entre R$ 8,4 mil e R$ 9,2 mil. Os valores se somam aos 4% concedidos pela Medida Provisória 568, publicada em maio desse ano e fruto de acordo firmado no ano anterior com os docentes.
No caso dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, além da possibilidade de progressão pela titulação, haveria um novo processo de certificação do conhecimento tecnológico e experiência acumulados ao longo da atividade profissional de cada docente.

A proposta foi anunciada pelos ministros Aloizio Mercadante, da Educação, e Miriam Belchior, do Planejamento, em coletiva à imprensa convocada no meio da tarde. Do outro lado da Esplanada, representantes do Andes, Sinasefe e Proifes discutiam com o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, uma saída para a greve. Do lado de fora, professores, alunos e técnicos empunhavam bandeiras e gritavam palavras de ordem. Todos foram surpreendidos pelo corre-corre provocado pela notícia de que os ministros anunciavam naquele instante uma proposta.
Valter Campanato/Agência Brasil
 
A reunião foi convocada na mesma semana em que o secretário Sérgio Mendonça disparou para todas as universidades comunicado recomendando o corte de ponto dos grevistas. No dia seguinte, a direção da Associação dos Dirigentes de Instituições de Ensino Superior (Andifes) convocou reunião extraordinária do pleno para discutir o comunicado. O encontro terminou com ofício endereçado ao Ministério da Educação pedindo diálogo e esclarecimentos sobre a recomendação.

Na quarta-feira, os professores foram para a porta do Palácio do Planalto com uma carta à presidente Dilma Rousseff na expectativa de conseguirem uma reunião com o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Não conseguiram, mas foram recebidos pelo ministro interino da Secretaria Geral da Presidência, Rogério Sottili.

O encontro foi o aceno de uma possível reabertura das negociações. Rogério Sottilio prometeu que a Casa Civil mediaria encontro dos professores com os Ministérios da Educação e Planejamento. Firmou ainda compromisso de restabelecer o espaço de diálogo com os servidores.

A última e única reunião entre docentes e o Governo para discutir as reivindicações havia ocorrido no dia 28 de maio, quando o Ministério do Planejamento colocou na mesa a possibilidade de equiparação da carreira dos docentes com a dos profissionais de ciência e tecnologia. Leia mais aqui. Desde então, a presidente Dilma Rousseff vinha cobrando de seus assessores a necessidade de encontrar caminhos para priorizar a educação entre as carreiras do serviço público que estão paralisadas. Em reunião com o Aloizio Mercadante e o secretário executivo do Ministério da Educação, José Henrique Paim, a presidente afirmou que era preciso avançar. Leia mais aqui.
A proposta apresentada nesta sexta-feira, no entanto, não contempla os servidores técnico-administrativos, que entraram em greve duas semanas após os professores e na última paralisação, no ano passado, quando os docentes garantiram 4% de reajuste, saíram sem nada. Estão entre as carreiras mais mal remuneradas do serviço público federal. Leia mais aqui. 
IMPACTO - Na coletiva à imprensa, a ministra Miriam Belchior disse que o impacto da proposta no orçamento será de R$ 3,9 bilhões ao longo dos próximos três anos, com 40% desse total sendo aplicado em 2013, 30% em 2014 e o restante, em 2015. Leia mais aqui.

Segundo ela, a redução de 17 para 13 dos níveis da carreira é uma forma de incentivar o avanço mais rápido e a busca da qualificação profissional e dos títulos acadêmicos. "O governo federal atende à reivindicação histórica dos docentes, que pleiteavam um plano de carreira que privilegiasse a qualificação e o mérito", afirmou nota do Ministério do Planejamento, publicada antes do término da reunião com os sindicalistas, por volta das 20h.

Os dirigentes do Andes, Sinasefe e Proifes receberam a proposta com insatisfação. Reclamaram do modo como o plano foi apresentado e mostraram incompreensão em relação aos dados dispostos. "O Governo Federal não apresentou proposta alguma, apenas números e tabelas sem as explicações e os conceitos que devem acompanhar a reestruturação do plano de carreira", disse Marinalva Oliveira, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).

"Após um ano e meio tentando negociar com o governo, não podemos admitir receber apenas as tabelas com os reajustes. Notamos também que os 45% anunciados serão destinados apenas a uma mínima parcela dos docentes", avaliou William Carvalho, da direção nacional do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe). Para o dirigente, o importante é a valorização do vencimento-base do professor, e não a política de gratificações, "o que acaba por gerar prejuízos e distorções no momento da aposentadoria".

O presidente da Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), Eduardo Rolim de Oliveira, foi o único que recebeu a proposta com mais otimismo. "A retomada do processo de negociação já foi um avanço", acredita.

Os sindicatos afirmaram que precisam de dez dias para analisar a proposta com suas bases. Acertaram reunião com o secretário Sérgio Mendonça para o próximo dia 23, na sede do Ministério do Planejamento. Até lá, farão assembleias e debates. "Só teremos uma avaliação precisa após entenderemos melhor a proposta e as bases endossarem", disse Marinalva.
A rede federal de ensino superior tem hoje 105.667 professores, dos quais 37.522 são aposentados. Entre os docentes em atividade, 87% têm contratos de dedicação exclusiva. Dos ativos, 68% dispõem de doutorado, 25,9%, mestrado e 2,1%, somente a graduação. Outros 2.797 professores estão em nível de aperfeiçoamento ou de especialização, com cursos em andamento.

Seguro residencial em alta, anuncia Geraldo Cavalcante


Imóveis em condomínios, apartamentos ou residências comuns são alvos de assaltos em todo o Brasil. Na Amazônia, a realidade não é diferente. De acordo com pesquisa recente, de janeiro a maio deste ano, os roubos a casas tiveram um crescimento de 25,1% em comparação ao mesmo período de 2011.

"Com este cenário negativo, é importante tomar alguns cuidados para minimizar os prejuízos, caso alguma situação inesperada aconteça. Assaltos, incêndios e alagamentos são apenas alguns dos imprevistos que podem comprometer a segurança do lar e o orçamento familiar", observa o presidente do Sincor RO/AC, Geraldo Cavalcante.

Para o especialista, ter um seguro residencial é primordial. Ele explica que o 'aquecimento' do mercado imobiliário e a elevação da renda da população também contribuíram para que a adesão a esta modalidade aumentasse. "Antigamente, os seguros residenciais eram considerados artigos de luxo. Hoje, quem tem um imóvel não pensa duas vezes para contratar o serviço", afirma.

domingo, julho 15, 2012

A caixa-preta do exame da OAB, por Elio Gaspari

Em dezembro de 2010, quando se descobriu que uma lambança ocorrida na distribuição das provas do Enem atrapalhara a vida de cerca de 10 mil dos 3,3 milhões de jovens que haviam prestado a prova, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, prontamente anunciou que pediria a anulação do exame.Seria mais razoável oferecer uma nova prova aos prejudicados (o que foi feito), mas a Ordem defendeu uma posição extrema.A veneranda OAB fez fama como papagaio de pirata de crises. Há um problema, e lá está ela metendo seu bico. Não importa que o assunto nada tenha a ver com o exercício da profissão de advogado. Nem mesmo que proponha uma nova e absurda prova para 3,3 milhões de jovens. A OAB tornou-se uma instituição milionária e suas contas estão longe da vista do poder público. O doutor Ophir chegou a dizer que "o Congresso Nacional tornou-se um pântano". Um de seus antecessores, Roberto Busatto, disse que "o comportamento indecoroso de alguns agentes públicos expôs ao desgaste as instituições do Estado". No seu próprio quintal, ela não é tão vigorosa, muito menos transparente. Há anos pipocam denúncias de fraudes no exame que os bacharéis são obrigados a prestar na Ordem para poderem trabalhar como advogados. Desde 2007, sabia-se que uma integrante da banca de Brasília vendera por R$ 4.000 as perguntas de uma prova. Posteriormente ela recebeu o título de "melhor examinadora".Em Goiás, 41 candidatos compraram provas por até R$ 15 mil, e o Tribunal de Ética da Ordem decidiu que eles nada devem. Jamais a OAB mobilizou-se para punir exemplar e publicamente esse tipo de delinquência.Agora a Polícia Federal anunciou que existiram duas infiltrações fraudulentas nos seus exames de 2009 e 2010. Numa ponta, 152 bacharéis compraram provas e, com isso, 62 deles habilitaram-se para cargos na PF, na Receita e na Abin. Felizmente, graças à polícia, foram afastados de suas funções.Na outra ponta o problema é maior: 1.076 advogados "colaram" durante os exames. A PF descobriu isso de uma maneira simples. Rodou as respostas dos candidatos num programa de computador desenvolvido na Academia Nacional de Polícia, e a máquina descobriu onde se colou.Simples: se num local 30% dos candidatos acertaram uma questão que teve um índice nacional de acerto de 5%, houve "cola". (Steve Levitt explica a racionalidade estatística do sistema num capítulo do seu magnífico livro "Freakonomics"). Esse tipo de auditoria tornou-se o terror da rede escolar pública americana. Na semana passada, pegaram uma rede de "cola" num dos melhores colégios de Nova York.Se a OAB quer continuar a dar lições aos outros, pouco lhe custaria criar uma auditoria semelhante à que a Polícia Federal usou. Não conseguirá pegar todos os examinadores que vendem provas, mas identificará os locais onde a "cola" é ampla, geral e irrestrita.
SAÚDE NA RUA
Acendeu-se no Planalto o sinal de perigo com a explosão de centenas de planos de saúde que há anos vendem serviços que não podem entregar.
Se a doutora Dilma socorrer as bibocas, preservará a empulhação, armando uma bomba de efeito retardado. Se não socorrer (o que será melhor), terá de explicar como chegou a esse ponto.
Pela conta a que chegou a repórter Cristine Bonfanti, os planos de 2 milhões de pessoas estão na frigideira.
CARDEAIS
D. Eugenio Salles morreu aos 91 anos e já estava fora do colégio de cardeais que elege o papa. Agora ele poderia dar uma palavrinha para que Bento 16 preencha as vagas cardinalícias nas sés brasileiras.
Os arcebispos do Rio e de Brasília estão sem o barrete. Porto Alegre já teve cardeal, e Recife está pronta para ser promovida desde os anos 70, mas foi colocada na geladeira pela hostilidade da ditadura a D. Hélder Câmara. Enquanto isso, o Vaticano elevou a sé de Valência, na Espanha, e aspergiu cardeais pela França.
É provável que Bento 16 mude essa situação antes de sua vinda ao Brasil, no ano que vem.
Quem acompanha a política de Roma acredita que no próximo conclave, pela primeira vez, haverá um candidato forte de fora da Europa.
É o arcebispo de Tegucigalpa, Oscar Maradiaga. Seria o primeiro papa músico, além de professor de química e física.
Na hipótese europeia, há o cardeal Angelo Scola. É forte porque sempre que o arcebispo de Milão chegou ao conclave podendo ser eleito, saiu papa.
LULA, O BÓSON DE HIGGS DO PT
Admita-se que há três problemas sobre a mesa: a estagnação do PIB, a CPI do Cachoeira e a expansão das greves do funcionalismo. O PT não tem nada a dizer a respeito de nenhum deles. Não se sabe nem sequer de que lado está.
Ao tempo do vice José Alencar havia petistas defendendo a queda dos juros, mas eles já caíram. Na CPI, os petistas estão dos dois lados do guichê, ora cobrando, ora silenciando.
Diante da greve dos professores, durante 53 dias, não conseguiram nem sequer oferecer mediações. Só acordaram na terça-feira, quando Lula entrou no circuito. Três dias depois, pelo menos tinham o que propor.
Simbolicamente, na famosa cena do encontro de Lula com Maluf, havia dois outros personagens. Um, Rui Falcão, presidente do partido. O outro era o vereador Wadih Mutran, do PP. Os repórteres Diógenes Campanha e Paulo Gama mostraram que desde 2008 seu patrimônio dobrou, chegando a R$ 3,8 milhões. Como? Três bilhetes de loteria premiados. (Ele guarda R$ 1,4 milhão em dinheiro vivo.)
A ambiguidade do PT em relação aos dinheirinhos fáceis é antiga. Sua exaustão intelectual aconteceu há anos, quando se transformou num apêndice do lulismo, sem que se saiba o que isso significa. Produziu-se uma federação de comissariados, sem plataformas ou propostas, acumulando interesses.
Assim como sucedeu ao PMDB, o PT virou um aglomerado sem massa. Não existe sem o seu bóson de Higgs. Ele se chama Lula.
O teste dessa partícula agregadora ocorrerá na eleição de São Paulo. Se Fernando Haddad vencer, mais uma vez o bóson de Lula terá arrastado as fichas. Se perder, a derrota será só dele.
No dia em que o Banco Central apontou uma estagnação do PIB, a doutora Dilma disse que "uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto. É a capacidade do país, do governo, e da sociedade de proteger o seu presente e o seu futuro, que são suas crianças e seus adolescentes".
Quis a sorte que houvesse uma baiana na plateia para decifrar a fala: "Isso, na minha terra, se chama 'enrolation', 'embromation'". Nessa arte Lula é mestre, Dilma é uma constrangida aprendiz.
Elio Gaspari, nascido na Itália, veio ainda criança para o Brasil, onde fez sua carreira jornalística. Recebeu o prêmio de melhor ensaio da ABL em 2003 por "As Ilusões Armadas". Escreve às quartas-feiras e domingos na versão impressa de "Poder".

Unir comemora 100 anos da EFMM

Comemorando o centenário da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a Universidade Federal de Rondônia (Unir), através do campus do município de Guajará-Mirim, realiza nos dias 19 e 20, no centro de treinamento São José, o III Encontro sobre Linguagem, Cultura e Sociedade. O evento brindará a plateia com números musicais regionais da melhor qualidade, teatro, palestras, histórias orais e vídeos.

Pesquisadores da Unir/Gepcultura aprovam projetos no CNPq


Espaço e
Representações dos Festejos Religiosos em comunidades ribeirinhas amazônicas,
um estudo para a sustentabilidade da vida




Prof. Dr.
Josué da Costa Silva


A pesquisa
busca refletir sobre as populações tradicionais ribeirinhas e sua relação com
as novas dinâmicas de organização do espaço religioso do qual se desenrolam as
ações sociais, conflitos de ordem territorial, alterações nas paisagens e
reconfigurações dos espaços vividos. As questões territoriais relacionadas à
religiosidade são importantes caminhos de estudo assumidos pelos grupos, e que
serão levados adiante numa perspectiva integradora. Consistem também em
reflexões sobre “perda e construção de vínculos com o território, identidade e
cotidiano”. Com esse enfoque a pesquisa busca entender a dinâmica de conflitos
territoriais que envolvem o uso e a representação do espaço; as situações
confusas no campo das novas representações que envolvem espaços afetados por
diversos planos de atuação e dinamicidades religiosas no contexto ribeirinho das
festividades  religiosas amazônica.


O caráter
comum dos processos contemporâneos é o deslocamento da significação cultural em
relação às práticas cotidianas e a reprodução da vida. Ritos e práticas
tradicionais em grande proporção se mantêm como memória, mas também são
utilizados em sentido transfigurado, atuando muitas vezes como
tradicionalismos. São recorrentes as mudanças nos espaços agrários tradicionais
substituídos por grandes lavouras empresariais, barragens e pastagens em solos
de várzea.


Em diversas
destas situações os limites da própria existência das populações tradicionais
são gradativamente questionados. As condições da manifestação da cultura
tradicional, bem como suas representações territoriais adquirem novas e
problemáticas e formas. Consequentemente, o nosso desafio consiste em analisar
estas condições pelas quais a cultura se manifesta, bem como estabelecer uma
posição teórica e um caminho metodológico que permita construir uma visão
coerente em conjunto sobre esta temática. Trata-se basicamente das
geograficidades das práticas sociais, das manifestações culturais, das
tradições, das identidades, dos saberes e das memórias que as populações
elaboram, preservam, re-significam e que aceleradamente estão sendo
re-elaboradas motivadas pelo fator religioso seja pelo avanço das igrejas
pentecostais que altera a base da sociabilidade local, seja pelo avanço do
interesse do capital nessas regiões a exemplo da construção de barragens e da
ocupação da várzea pela pecuária trazida principalmente pelos gaúchos. Neste
cenário, os festejos religiosos caracteristicamente amazônicos são
re-significados a partir de novos elementos que são incorporados ao cotidiano
ribeirinho.  


Objetivo
Geral:


·        Analisar os festejos religiosos populares no que tange a estruturação do espaço
de representação no cotidiano das comunidades ribeirinhas e sua importância na
formação da cultura das populações tradicionais amazônicas.




Objetivos
Específicos:


·  Investigar
as representações culturais religiosas das comunidades ribeirinhas como o
festejo de Nossa Senhora da Saúde, em Prosperidade, às margens do Rio Madeira
(RO), a festa do Sairé em Alter-do-Chão, na foz do rio Tapajós com o Amazonas (PA),
e a festa de Santo Antonio de Borba, na cidade de Borba, às margens do Rio
Madeira (AM);


  • Identificar o processo de
    formação das comunidades ribeirinhas a partir de sua história recente e
    referencia espacial e formulação de seus festejos;
  • Compreender através destas
    representações como se configuram a organização do espaço social de
    comunidades ribeirinhas;
  • Analisar os conflitos religiosos
    locais e as interferências nos festejos e formas de sociabilidade;
  • Identificar as formas de
    “contratos” estabelecidos entre o indivíduo e  a divindade;
  • Analisar como os festejos
    religiosos participam da construção da identidade amazônica.





  Prof. Adnilson


Estudo das Representações Amazônicas: “Marcadores” Territoriais, Culturais e Socioambientais dos Paiter Suruí


Prof. Dr. Adnilson de Almeida Silva


Este Projeto de Pesquisa Científica
surge como necessidade de aprofundamento dos estudos realizados com a
dissertação de Mestrado em Geografia/UNIR, defendida em 2007, com o título
“Impactos socioculturais em populações indígenas de Rondônia: Estudo da Nação
Jupaú”; e com a tese de Doutorado em Geografia/UFPR, defendida em 2010,
denominada “Territorialidades e identidade do coletivo Kawahib da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau em Rondônia: “Orevaki Are” (reencontro) dos
“marcadores territoriais”. Os temas abordados nesses estudos mostraram-se
essenciais à compreensão da Etnogeografia, ao tempo em que também possibilita
discutir cientificamente populações cuja afeição com o meio ocorre de forma
relacional direta e holística, nas quais as representações sociais, culturais,
socioambientais e territoriais se inserem como elementos de discussão teórica
na Geografia.


Temos a necessidade de adquirir e
conhecimento com outras etnias de Rondônia, na perspectiva de entendermos as
distintas territorialidades, apresentando-se para tanto o “Estudo das Representações Amazônicas: “Marcadores” territoriais,
culturais e socioambientais Paiter Suruí”
, cujas apreensões de seu
microcosmo possuem características de assimilações territoriais distintas
daquelas observadas entre os Kawahib de
Rondônia.


A pesquisa científica com o Coletivo
Paiter Suruí objetiva contribuir no entendimento de sua territorialidade,
cultura e modo de vida, através da realização de trabalho participativo
enfocando os aspectos etnoambientais e etnozoneamentos, cujos resultados
servirão como indicativo para a concepção de políticas públicas.


A proposição do projeto buscará
compreender o conjunto do Coletivo Paiter Suruí, porque parte do pressuposto de
que as culturas são distintas, devido aos valores que constroem e da percepção
do espaço, considerando que “mesmo quando ocupam zonas ecológicas semelhantes,
elas mantêm sua individualidade, tanto no plano das relações sociais como no
campo simbólico” (RAMOS, 1986, p.11).


Nessa premissa sobre os indígenas é
salutar o pensamento de Daniel Munduruku que “nunca somos um só, somos sempre
uma pequena multidão que vive dentro da gente buscando formas de compreender
nossa passagem por este mundo. Esta multidão age em diferentes direções e nos
dão diferentes razões para viver”.


A Terra Indígena Paiterey Karah,
autodenominada pelos Paiter Suruí é reconhecida pela sociedade envolvente e
pelo estado brasileiro como Terra Indígena Sete de Setembro, e localiza-se nos
estados de Rondônia (município de Cacoal e Espigão d’Oeste) e estende-se até o
município de Aripuanã em Mato Grosso.


Nosso projeto de pesquisa, a
princípio, será desenvolvido nas aldeias Lapetanha, Nambekolabadakiba e
Iratana, podendo por razões de logística ser estendida a outras. O objetivo
principal é desenvolver pesquisa sobre o modo de vida do Coletivo Paiter Suruí,
considerando os “marcadores” territoriais, culturais e socioambientais e as
possíveis mudanças e permanências na forma de compreender, manifestar,
representar e presentificar seu microcosmo.

Fonte: Gepcultura