domingo, janeiro 14, 2018

Julgamento do século!



      Comecemos com uma repetição: o contrário de uma verdade profunda pode não ser um erro ou mentira, mas outra verdade profunda. Essa ideia de Pascal costuma ser citada por Edgar Morin. Eu li as mais de 200 páginas da sentença do juiz Sérgio Moro condenando Lula. Não vi uma prova. Vi suspeitas, indícios e convicções. Ponho minha mão no fogo por Lula? Não. Não o faria por qualquer político. Mas também não condenaria alguém sem provas robustas. Certos crimes não permitem provas? Neste caso não há como condenar. Prova é a mala de dinheiro de Geddel Vieira Lima com suas impressões digitais. O resto é hipótese.JM

quinta-feira, janeiro 11, 2018

Venezuela e o Português


“A Venezuela é um país com muito potencial no que se refere ao ensino da Língua Portuguesa”
Entrevista
Rainer Sousa
A promoção e difusão da Língua e Cultura portuguesas é o grande objetivo da Coordenação do EPE (Ensino Português no Estrangeiro) na Venezuela. Um país onde a maioria dos estudantes de Português ainda são luso-descendentes, mas onde se tem notado “cada vez mais” o interesse em estudar esta língua por parte de venezuelanos sem nenhum vínculo com a comunidade portuguesa. Para que este interesse permaneça e cresça, é necessário, entre outras metas, formar mais professores, como sublinha Rainer Sousa.
Na Venezuela, o Português é dinamizado no regime de ‘ensino paralelo’, oferecido de forma extracurricular. “Ainda estamos a dar os primeiros passos na introdução do Português de maneira oficial nas escolas venezuelanas”, afirma Rainer Sousa. Há 22 instituições que oferecem cursos de Português, duas das quais começaram este ano organizá-los.
E se os alunos ainda são, maioritariamente, luso-descendentes, a Língua Portuguesa tem, a cada ano que passa, despertado o interesse de venenzuelanos sem nenhum vínculo familiar a Portugal.
São pessoas que por questões de emprego, de curiosidade ou porque, como eles próprios dizem, “o português chama-lhes a atenção” decidem inscrever-se nos diferentes cursos que vão aparecendo”, revela, nesta entrevista, o Coordenador do EPE na Venezuela.
Quais são as grandes metas para o EPE no que concerne à Venezuela?
A Coordenação de Ensino na Venezuela tem várias metas. Talvez a principal seja promover e difundir a Língua e Cultura portuguesas na Venezuela. Tanto a nível da nossa comunidade, como também entre os próprios venezuelanos. Nos últimos anos temos visto um grande interesse por aprender Português da parte dos luso-descendentes e não só.
O governo venezuelano tem visto com bons olhos a introdução de outras línguas estrangeiras, além do inglês, no currículo oficial de ensino. Prova disso foram as recentes alterações na lei do ensino venezuelano que já refere a importância de aprender outras línguas como o Português. Obviamente que, para corresponder a esse novo cenário, linguístico é preciso formarmos mais professores na Venezuela. Essa é outra das metas.
Quantos alunos aprendem Português a nível dos ensinos básico e secundário, no presente ano letivo na Venezuela e quantos professores o dinamizam?
É preciso compreender que todo o ensino de Língua Portuguesa ainda está inserido num ensino “paralelo”, isto é, as escolas oferecem cursos de forma extracurricular. Ainda estamos a dar os primeiros passos na introdução do Português de maneira oficial nas escolas venezuelanas.
No entanto, existem instituições com turmas de crianças e jovens que aprendem Português (variante europeia e brasileira) neste já mencionado ensino paralelo. Existem na atualidade cerca de 880 estudantes para um número de 37 professores.
Em quantas escolas o Português é ensinado em 2017? Neste ano letivo há mais escolas a dinamizá-lo?
Há 22 instituições que oferecem cursos de Português, incluindo duas que este ano começaram a receber estudantes de Língua Portuguesa.
Qual é atualmente o perfil desses alunos de Português num país com uma forte presença de portugueses e luso-descendentes? Estes descendentes estão a ‘redescobrir’ a língua dos seus país/avós?
A maioria ainda são luso-descendentes, mas há cada vez mais venezuelanos interessados em estudar Português sem ter nenhum vínculo com a comunidade. São pessoas que por questões de emprego, de curiosidade ou porque, como eles próprios dizem, “o Português chama-lhes a atenção” decidem inscrever-se nos diferentes cursos que vão aparecendo.
Há também o caso dos luso-descendentes que querem morar em Portugal e sabem que precisam do idioma para poderem continuar os estudos ou trabalhar nas suas respetivas áreas profissionais. Há um pouco de tudo.
Referiu recentemente que está a aumentar a procura dos cursos de Língua Portuguesa, havendo uma cada vez maior vontade dos venezuelanos em aprenderem esta língua. O que está na génese dessa procura?
Como disse anteriormente, e depois de ter ouvido muitas opiniões, é uma mistura de curiosidade, interesse linguístico e também um pouco de afinidade com a comunidade portuguesa.
Os portugueses são muito bem vistos pelos venezuelanos e há também bastantes aparentados com portugueses, através de casamentos. É comum conhecer venezuelanos que têm algum dos avós português.
Esta miscigenação, se assim podemos chamar, é uma mais-valia neste país. Além disso, os venezuelanos sabem muito bem que têm um grande vizinho mesmo ao lado que é o Brasil, o maior país lusófono do mundo.
Pode dar exemplos de projetos/atividades dinamizados prelos professores? De que forma complementam o ensino do Português?
Com o apoio da Coordenação de Ensino os professores têm dinamizado concursos com os alunos.
Anualmente levamos a cabo o concurso ‘10 de junho’ para o qual os estudantes devem preparar algum trabalho alusivo a Portugal e à sua história. Também temos todos os anos o Concurso ‘Postal e Conto de Natal’, no qual os alunos também devem participar com trabalhos originais relacionados com a quadra natalícia.
Os professores, por sua própria conta, organizam clubes de leitura e festejam nas suas instituições alguns dos feriados portugueses. Em Caracas, por exemplo, alguns docentes preparam os alunos para apresentações culturais relacionadas com algum capítulo da História de Portugal, tal como peças de teatro, etc.
Na área cultural, quais são os projetos dinamizados pela Coordenação, que têm mais receptividade por parte dos alunos? E o que já está planeado para o próximo ano letivo?
Também organizamos o Encontro de Estudantes de Língua Portuguesa da Venezuela. Este ano não foi possível levá-lo a cabo por questões bem particulares relacionadas com a situação da Venezuela, mas já agendámos esta atividade para o primeiro trimestre de 2018. Nessa oportunidade os alunos podem mostrar os talentos que têm em português, tais como teatro, música, coro etc.
A formação contínua de professores é uma atividade a que a Coordenação do EPE na Venezuela tem dado bastante importância.
O IV Encontro de Professores de Português na Venezuela, que decorreu recentemente foi muito participado?
Todos os anos a Coordenação de Ensino prepara um Encontro de Professores de Língua Portuguesa. O último foi realizado no dia 18 de novembro em San Diego, uma pequena cidade perto de Valencia.
Trouxemos uma professora de Portugal, a Dra. Helena Lemos, versada em questões de oralidade, com um conjunto de manuais relacionadas com essa área específica do ensino do Português para estrangeiros.
Foi muito bom. A professora esteve primeiro em Caracas, onde também ofereceu uma formação de 16 horas a docentes. O objetivo destes encontros é propiciar a formação dos professores, mas sobretudo estimular a interação entre docentes de várias partes da Venezuela, unindo os professores da variante europeia e brasileira num mesmo objetivo: difundir a língua de Camões neste país sul-americano.
Além disso, é uma grande oportunidade de convívio que projeta, através dos meios de comunicação e redes sociais, o esforço que estamos a fazer na promoção da língua.
Neste encontro estiveram presentes cerca de setenta pessoas, entre professores e atores envolvidos no ensino do Português.
Gostava ainda de ressaltar uma coisa, estas reuniões também têm a finalidade de formar uma espécie de identidade única entre os docentes. O meu objetivo é que depois dessa formação e convívio, o professor ou professora possa sair daí com mais ânimo e força para continuar o seu trabalho.
Na minha opinião, ensinar línguas estrangeiras é muito importante, porque aproxima povos e culturas de uma maneira muito particular.
Na área da formação contínua de professores, há já atividades planeadas para 2018?
Sim. Vamos organizar as II Jornadas de Formação em Língua Portuguesa com professores da Venezuela. Queremos que os docentes venezuelanos possam compartilhar com os seus colegas aquilo que têm feito na sala de aula ou queiram apresentar algum trabalho de investigação.
Também queremos organizar o V Encontro de Professores de Língua Portuguesa em outubro de 2018. Uma vez que a recetividade a este tipo de encontro está a crescer, estamos a pensar em mudar o nome e chamá-lo de “I Congresso de Professores de Língua Portuguesa da Venezuela”.
Com a Universidade Central da Venezuela, instituição com a qual o Camões I.P tem um protocolo de cooperação de quase 23 anos, também queremos participar na Semana do Intérprete e do Tradutor que todos os anos é realizada em Caracas.
Além disso, desejamos arrancar, de uma vez por todas, com um projeto de formação à distância para apoiar os professores em outras regiões da Venezuela. Este último projeto é levado a cabo com a Universidade de Carabobo.
A importância da docência do Português na Venezuela levou já à criação de uma associação de professores. De que importância se reveste? É uma parceira da Coordenação?
Esta associação chama-se Associação Venezuelana para o Ensino da Língua Portuguesa (AVELP). A AVELP tem ajudado sempre a Coordenação de Ensino.
Contudo, ainda há um longo caminho a percorrer para se afirmar mais no contexto venezuelano. O presidente da AVELP, o Professor David Pinho, tem apoiado sempre as iniciativas desta Coordenação de Ensino.
Em 2018, que novidades haverá no novo ano letivo na Venezuela a nível dos ensinos básico e secundário? Há a possibilidade de abertura de novos cursos de português?
Sim, sempre há instituições que, a meio do ano letivo, abrem novas turmas de Português.
É o caso do Colégio San Agustín e o Colégio Nossa Senhora de Fátima.
Na sua opinião, até onde poderá chegar o ensino da Língua Portuguesa na Venezuela?
A Venezuela é um país com muito potencial no que se refere ao ensino da Língua Portuguesa. Com certeza continuará a crescer nos próximos anos.
No entanto, um crescimento do interesse no Português coloca desafios a esta Coordenação de Ensino no que diz respeito à formação dos professores, devidamente capacitados para corresponder a essa procura.

Maconha e capitalismo


      Para começo de conversa, devo dizer que sou viciado. Em água mineral com gás. Trabalho duramente para me livrar das bolinhas. Não suporto dependência. É tudo. Por essa mesma razão, vez ou outra deixo de ser torcedor do Internacional. Nem vinho francês eu bebo há muito tempo. Levo uma vida frugal: como pouco, bebo água e só trabalho um dia por semana depois das sete da noite. Tudo isso para dizer que algo está acontecendo nos Estados Unidos. Já é o oitavo Estado a liberar o consumo recreativo de maconha. Desta vez, foi a Califórnia. Trata-se do Estado mais populoso dos Estados Unidos. O mais rico. Se fosse país, seria a sexta economia do mundo. E liberou geral. Cada pessoa adulta pode plantar seis pés em casa e comprar 28 gramas de cada vez.
Os californianos compreenderam o seguinte: a guerra contra as drogas é cara, ineficiente e inútil. Produz violência, corrupção e crime organizado. A explicação para esse fracasso está na essência da ideologia americana: o capitalismo. Se há demanda, há oferta. Não se elimina a lei da oferta e da procura por decreto. A Lei Seca, que proibia o consumo e o comércio de álcool, provou isso para sempre. Será que os californianos se esqueceram de consultar os especialistas brasileiros que sugerem aumentar a repressão e botar na prisão todos os consumidores de todos os tipos de droga? A Califórnia vai faturar em impostos, criar empregos e aquecer ainda mais a sua economia. Gastará em propaganda contra os perigos da dependência. É negócio... JM

terça-feira, janeiro 09, 2018

Deus e o diabo


“Nesse ritmo (de participação em cultos evangélicos), Meirelles vai acabar acreditando em Deus, já que ficou difícil crer na reforma da Previdência e no equilíbrio das contas públicas. Mas depois de 7 de abril, quando trocar definitivamente o ministério pelo palanque, o presidenciável descobrirá que não é fácil exercer o dom da ubiquidade. Deus está em toda parte. Mas, normalmente, o demônio controla a política” – Josias de Souza, jornalista –  Uol, 06-01-2018.

Motel


‘O ministério do Temer parece motel: alta rotatividade! Parece porta giratória de banco! Duvido que ele saiba de cor os nomes dos ministros” – José Simão, humorista – Folha de S. Paulo, 09-01-2018.

quarta-feira, janeiro 03, 2018

Lugares...


Tempo de caminhar

      Entre as poucas certezas que trago na vida está a de que o tempo muda com o tempo. Não chega a ser uma certeza esclarecedora nem genial. É apenas uma percepção redundante e risível que se enraíza com a passagem dos anos no imaginário dos que estão passando e olham para trás tentando capturar um perfume que se perde. Aprendi com o melancólico poeta Eliot, que havia aprendido em textos sagrados, que há um tempo para cada tempo. Julgo humildemente que há um tempo para caminhar. E que esse tempo precede aquele em que só poderemos lembrar das caminhadas. O tempo de caminhar já não mais é o de querer chegar.
O tempo de querer chegar é o da idade da razão. Tempo de objetivos, metas e ambições dependentes do ponto final. É quando se quer ir rápido, engolindo caminhos e colhendo resultados. O tempo de caminhar, no sentido que estou tentando esboçar aqui, é o da fruição existencial e estética, lenta, suave, reflexiva. Quanto mais devagar, melhor. Há que se sentir os cheiros da natureza, colher o pó da estrada, armazenar na alma o canto dos pássaros, guardar num canto da mente a imagem de um morro, o voo repentino de uma ave, uma luz irisando uma lâmina de água, uma risada de criança correndo na frente, o rastro imaginário ou deliciosamente assustador de uma cobra, uma lembrança repentinamente exumada do passado como se estivesse viva.JM

terça-feira, janeiro 02, 2018

Dobro de oportunidades.Sem retração!

Concursos públicos abrem 162 mil vagas em todo o Brasil; o dobro de 2017



Ed Alves/CB/DA Press
Os mais esperados pelos candidatos são o do Ministério Público da União (MPU), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Federal (PF) e Receita Federal
 
O ano novo traz boas perspectivas para quem sonha em ser aprovado num concurso público, com número recorde de editais e vagas. Espera-se a abertura de 162 mil vagas na administração pública, quase o dobro das 85 mil oportunidades oferecidas em 2017. Há cargos em todo o país, no Legislativo, Executivo e Judiciário, e a remuneração pode ultrapassar os R$ 20 mil.

De acordo com a Associação Nacional de Proteção e Apoio ao Concurso Público (Anpac), responsável pelo balanço dos certames, o crescimento no número de postos públicos de trabalho tem relação com a necessidade de recomposição do quadro efetivo, defasado depois de três anos de vacas magras no setor público.

Neste ano, o governo federal anunciou que destinará R$ 600 milhões do orçamento para concursos públicos. Os mais esperados pelos candidatos são o do Ministério Público da União (MPU), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Federal (PF) e Receita Federal. Estados e municípios também contam com oferta de vagas. Em Minas Gerais, a maior expectativa surge em torno da seleção do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), na segunda instância, além de concurso para a Polícia Civil. Certame da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) também é aguardado

Sabor das ondas



      Cada época tem suas imagens, suas metáforas, suas figuras de expressão, suas maneiras coloridas ou sombrias de pensar a vida a cada final de ano. A imagem do rio é uma delas. Queremos molhar de novo nossas mãos em águas que nunca são as mesmas embora jamais deixem de ser aquelas que se foram e voltaram presas no ciclo da natureza. Andamos em círculos ou na reta que corta a esfera rumo ao (in)finito. JM

segunda-feira, janeiro 01, 2018

O velho e o novo!


2018 chegou!


sábado, dezembro 30, 2017

Eleições 2018

Candidatos à Presidência começam preparação para campanha eleitoral em 2018

Chega a virada e começa a preparação para o desfile eleitoral, que promete surpreender a todos, inclusive, em relação aos protagonistas da festa


    





O universo da política que se apresentará ao eleitor em 2018 espera o destino do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da mesma forma que o público do sambódromo aguarda ansioso a magia da entrada das escolas de samba. Por isso, em 24 de janeiro, data do julgamento do ex-presidente no TRF da 4ª Região, políticos ficarão a postos, assim como os foliões.


Lula ainda é o que o PT tem de força eleitoral, e a única vez em que o partido testou seu poder de transferência de votos foi com o governo federal na mão, servindo de alicerce para a candidatura de Dilma Rousseff. Em condições adversas, ou seja, com o partido na oposição, esse poder jamais foi testado.“Quando passar o julgamento, começará a ter contornos mais concretos. Já há a movimentação de partidos aliados em função disso. Agora, ele acaba sendo o grande centro das atenções, mas o jogo começou. Hoje, não se sabe quanto o Lula transfere de votos”, diz o cientista político Ricardo Caldas, que desde já avalia os movimentos.

Enquanto aguardam para saber como será o desfile do PT, que venceu as quatro últimas eleições presidenciais, os pré-candidatos começam os ensaios para testar a empatia com o eleitor, cada um no próprio galpão, ou melhor, partido. Hoje, o Correio traz a relação das agremiações mais tradicionais, que integram uma espécie de grupo especial da política, caso de Lula e de siglas como o PSDB, do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

No galpão tucano, as brigas internas provocaram estragos em algumas alegorias e, por isso, alguns aliados que se preparavam para engrossar o desfile voltam os olhos para o som que sai dos tambores do ensaio da bateria do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Ele apresentou o samba-enredo ao eleitorado antes do Natal, num programa voltado à melhoria do cenário econômico. Porém, se as boas novas da economia forem além do esperado, a ponto de alavancar a popularidade do presidente Michel Temer, é o peemedebista quem desfilará no alto do carro alegórico governista.

Amanhã, o eleitor conhecerá aqueles que estão hoje no grupo de acesso, Jair Bolsonaro, Álvaro Dias, Rodrigo Maia e Manuela D’Ávila. Em seguida, virão aqueles que, sem uma grande estrutura, fazem questão de se apresentar no carnaval político, ainda que seja como um “bloco de rua”. Boa leitura!

Luiz Inácio Lula da Silva


» Agremiação: PT

» Conjunto: 1.585.958 de filiados, 9,492% do eleitorado brasileiro

» Alegorias: 5 governadores, 9 senadores, 57 deputados federais, 106 deputados estaduais, 256 prefeitos

» Evolução: presidente da República (2003-2011) e deputado federal (1897-1991)

» Enredo: discurso radical à esquerda com maior foco em programas sociais e na distribuição de renda.
Mestre-sala e porta-bandeira: Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann

» Comissão de frente: Jacques Wagner, José Guimarães, Carlos Zarattini
Aposta na tradição

O PT mobilizará toda a estrutura para o ensaio geral, em 24 de janeiro, quando Lula
será julgado no TRF-4, em Porto Alegre. Mesmo se o ex-presidente sair de lá
condenado, a ordem é mantê-lo como principal carro alegórico enquanto der, nem
que toda a escola tenha de empurrá-lo. A única hipótese de ele não ser candidato é se os jurados o tirarem da avenida. 

Porém, o enredo de um condenado não é considerado o melhor para se empolgar o eleitor, ainda que seja Lula. “Isso vai influenciar no voto do eleitor. A população brasileira é muito conservadora. Se ele for condenado, tudo muda. Ele deixa de ser
candidato livre para ser um candidato que pode ser preso a qualquer momento”, comenta o professor da Universidade de Brasília Ricardo Caldas. 

E, por mais que não admita, a insegurança faz o PT pensar em planos B. A segunda opção do partido já foi o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que hoje está se preparando, ainda que a contragosto, para a festa de São Paulo, como candidato ao Senado. No desfile mais esperado do ano, o presidencial, o PT baiano põe o ex-ministro, ex-deputado e ex-governador Jaques Wagner no lugar de destaque que seria ocupado por Lula.

Além do entrave judicial, o PT ainda terá de lidar com a rejeição do público. Apesar da tradição carnavalesca, a agremiação foi uma das protagonistas dos últimos escândalos de corrupção e de desvios de dinheiro público que chocaram o país e o mundo. Para isso, Lula — ou o substituto — pretende usar o peso da história. O discurso é trazer à tona o legado que o ex-presidente deixou para a sucessora Dilma Rousseff, independentemente de a culpa dos tropeços sobrar para a companheira.

Marina Silva


» Agremiação: Rede

» Conjunto: 20.704 filiados, 0,124%
do eleitorado brasileiro

» Alegorias: 1 senador, 4 deputados federais,
5 deputados estaduais e 6 prefeitos

» Evolução: senadora (1995-2011); ministra do
Meio Ambiente (2003-2008), deputada estadual
(1991-1995) e vereadora (1989-1991)

» Enredo: retomar o crescimento econômico
com sustentabilidade

» Mestre-sala: Heloísa Helena

» Comissão de frente: Miro Teixeira,
Randolfe Rodrigues

Ritmo de afastamento


Marina Silva vem travestida de Mocidade Independente. Pelo andar da carruagem eleitoral, não promete reunir muitos aliados no primeiro turno nem manterá todos os deputados da Rede no partido, uma vez que alguns cogitam sair para garantir a própria reeleição. A tendência é de que seja uma festa mais modesta focado no desenvolvimento sustentável.

Para completar, os primeiros acordes que ela mostrou do samba-enredo descarta quase todo o espectro da política. “A gente tem que dar para o PT, para o PMDB, para o PSDB, para o DEM e seus aliados um sabático de quatro anos para que eles possam rever seus estatutos, olhar na cara das pessoas, e se reinventar, para, só depois, se colocarem de novo na disputa”, afirmou Marina, quando do lançamento da pré-candidatura.

Mesmo assim, o potencial da candidatura da acriana não pode ser descartado. A ex-senadora tem um eleitorado fiel e pode ser o peso que fará diferença em um possível segundo turno. Nas últimas eleições, a candidata ficou em terceiro na disputa, com 21,32% dos votos válidos. E, apesar do distanciamento do ex-presidente Lula, analistas acreditam que ela tenham potencial para conquistar os votos do petista, caso ele não seja candidato.

Ciro Gomes


» Agremiação: PDT

» Conjunto: 1.255.726 de filiados, 7,515% do eleitorado brasileiro

» Alegorias: 2 governadores, 2 senadores, 20 deputados federais, 75 deputados estaduais e 6 prefeitos

» Evolução: deputado federal (2007-2011); ministro da Integração Nacional (2003 a 2006); ministro da Fazenda (1994-1995); governador do Ceará (1991-1994); prefeito de Fortaleza (1989-1990) e deputado estadual (1983-1988)

» Enredo: um dos principais temas é a revogação das reformas feitas pelo atual governo, principalmente, a que mudou as leis trabalhistas

» Mestre-sala: Carlos Lupi e Cid Gomes

» Comissão de frente: Pedro Taques e André Figueiredo

enfrentamento

Ciro Gomes andou por praticamente todas as escolas de samba do espectro político. Já foi do PSDB, do PPS, do PSB, aliado e adversário do PT. Agora, desfilará num partido tradicionalmente aliado a Lula, porém, já falou tão mal dos petistas nos últimos tempos que se complicou como alternativa de votos para a turma ligada a Lula no 1º turno.

Ciro Gomes andou por praticamente todas as escolas de samba do espectro político. Já foi do PSDB, do PPS, do PSB, aliado e adversário do PT. Agora, desfilará num partido tradicionalmente aliado a Lula, porém, já falou tão mal dos petistas nos últimos tempos que se inviabilizou como alternativa de votos para os petistas no primeiro turno.

Com um samba que pretende bater nas reformas promovidas pelo atual governo, principalmente, a que alterou a legislação trabalhista, o ex-ministro da Fazenda sugere um projeto nacional de desenvolvimento em que o foco do investimento esteja menos nos bancos e empresários e mais no trabalhador. 

Geraldo Alckmin


» Agremiação: PSDB

» Conjunto: 1.456.534 de filiados, 8,717% do eleitorado brasileiro

» Alegorias: 6 governadores, 11 senadores, 46 deputados federais, 96 deputados estaduais e 803 prefeitos

» Evolução: governador de São Paulo (2001-2006 e 2010 à atualidade); secretário estadual de desenvolvimento (2009); Vice-governador de São Paulo (1995-2001); deputado federal (1987-1994); deputado estadual (1982); prefeito de Pindamonhangaba (1977) e vereador (1972)

» Enredo: união com os partidos de centro para um discurso de desenvolvimento social, com privatizações e reformas

» Mestre-sala: Wanderlei Macris e Júlio Semeghini

» Comissão de frente: Ricardo Tripoli, Carlos Sampaio, Sílvio Torres
O samba da renovação

Os tucanos chegam empunhados do azul da Portela, grande em carnavais passados, porém com o desafio de se renovar. Depois das brigas internas provocadas pela disputa de poder entre os aliados de Aécio Neves e do senador Tasso Jereissati e ainda a posição rachada do partido quanto às denúncias envolvendo o presidente Michel Temer, os tucanos entregaram ao governador paulista a tarefa de consertar os estragos nas alegorias e componentes.

Se conseguir, tem chances de apresentar uma escola harmônica, “sem buracos” ou samba atravessado. Antes de começar a ensaiar o enredo definitivo para 2018, terá de organizar o galpão, uma vez que o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, quer prévia para a escolha daquele que terá lugar de destaque na escola de samba tucana. Com a disputa, Alckmin corre o risco de entrar na avenida com um “buraco” na região Norte, onde não é conhecido, nem tem votos. 

Enquanto prepara os tucanos para o desfile no sambódromo da sucessão, o governador tem de dar atenção à quadra paulista. Há quem diga que, se Serra insistir em concorrer ao título paulista, Alckmin terá de apoiá-lo sob pena de perder aliados. Para completar, ainda tem o governador de Goiás, Marconi Perillo, na reserva, esperando para ver se o carro de Alckmin quebra e se ele assume o lugar.

Henrique Meirelles


» Agremiação: PSD

» Conjunto: 323.602 de filiados, 1,937% do eleitorado

» Alegorias: 2 governadores, 4 senadores, 38 deputados federais, 80 deputados estaduais e 539 prefeitos

» Evolução: ministro da Fazenda (de 2016 à atualidade). Economista, presidente mundial do BankBoston, deputado federal eleito em 2002, renunciou para assumir a presidência do BC, em 2003

» Enredo: a nota principal é a reforma da Previdência. A intenção é mostrar que só a melhora da economia traz segurança de crescimento, justiça social e distribuição de renda

» Mestre-sala: Gilberto Kassab e o mercado financeiro

» Comissão de frente: Marcos Montes, Robinson Faria, Raimundo Colombo
O legado no tamborim

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, surge como a Grande Rio: o partido jamais levou um título. Porém, não perde a esperança de levar o estandarte de ouro eleitoral. Nas vésperas do Natal, ele surgiu na tevê repaginado. O programa sombrio do PSD do ano passado foi substituído por uma imagem clara do ministro numa camisa azul impecavelmente engomada. A mensagem trouxe uma pequena biografia do ministro e o levou ao posto daquele que tirou o país do atoleiro. Com todo cuidado textual, a expressão reforma da Previdência foi substituída por “nova Previdência para garantir as aposentadorias”.

Meirelles foi incisivo ao dizer que a recuperação da economia, do emprego e da renda é o melhor programa social que um governo pode ter. Citou que a melhoria do emprego não é sentida pelo grosso da população porque os índices são elevados, mas carrega o que o eleitor deseja: esperança em dias melhores.

O sonho de carnaval é repetir Fernando Henrique Cardoso, que, em 1994, aprovou o Plano Real, garantindo, assim, a passagem de primeiro turno para a presidência. Assim como Meirelles hoje, FHC também foi um ministro da Fazenda depois de um impeachment, o de Fernando Collor. FHC, entretanto, foi o quarto ministro da Fazenda de Itamar Franco e Meirelles foi logo convidado por Temer.
Entretanto, na apresentação que Meirelles fez na tevê, faltou citar o presidente. Hoje, se a economia melhorar além do ponto previsto, o PMDB pressionará Temer a sair candidato. 


Michel Temer


» Agremiação: PMDB

» Conjunto: 2.396.880 filiados, 14,345% do
eleitorado brasileiro

» Alegorias: 7 governadores, 20 senadores, 60 deputados federais, 142 deputados estaduais e 1.028 prefeitos

» Evolução: presidente da República (2016 à atualidade); Vice-presidente (2011-2016);  Deputado federal ( Secretário de Segurança Pública de São Paulo (1985), deputado federal (1987-1991 e 1994 a 2010, sendo três vezes presidente da Câmara)

» Enredo: a reforma da Previdência e a melhora da economia para bancar programas sociais

» Mestre-sala: Eliseu Padilha
e Moreira Franco

» Comissão de Frente: Beto Mansur, Carlos Marun, Baleia Rossi, Romero Jucá

Na parada da bateria

O presidente representa no carnaval eleitoral algo como a Império Serrano, considerado o “primeiro império do samba”. Antigo e tradicional, o PMDB tem força e tamanho para alavancar aliados por todo o país, mas há muitos anos não leva um título. Se o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, almeja repetir FHC, o presidente Temer, lá no fundo, acalenta o sonho de ser um Itamar Franco — um presidente que chegou ao cargo depois do impeachment de Fernando Collor de Mello e foi capaz de recuperar a economia. Só que, nos tempos de Itamar, não havia a possibilidade de reeleição.

Em maio deste ano, quando o governo estava próximo de aprovar a reforma previdenciária, um amigo disse a Temer: “Você pode se preparar, porque, se a economia melhorar, você tem de ser candidato”. As denúncias do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot arquivaram o projeto. Agora, com o PIB de 3% previsto para o ano eleitoral, a reeleição voltou a sondar o enredo peemedebista. O próprio Temer não descarta. Em entrevista ao Correio, foi direto: “Eu não postulo, me posiciono”, afirmou, quando perguntado se descartava uma candidatura.

Aqueles que cercam o presidente garantem que, se ele não for candidato — a família não quer que ele seja —, a tendência é de que a agremiação apoie alguém mais ligado ao governo